Não é de hoje que os brasileiros são conhecidos pelo seu pouco interesse e conhecimento sobre o mercado financeiro, mas essa realidade parece estar finalmente mudando. Cada vez mais, as pessoas estão mudando seus conceitos, estimulados, principalmente, pelo mau desempenho histórico da Poupança e pelo maior acesso à informação.

Em fevereiro de 2018, por exemplo, o investimento no Tesouro Direto bateu seu recorde, alcançando a incrível marca de 1,9 milhão de pessoas cadastradas.

O Tesouro Direto vêm sendo a porta de entrada para muitos brasileiros cansados
da baixa rentabilidade da caderneta.

Em 2017, o rendimento da Poupança registrou o maior ganho real desde 2006. Sabe quanto? 3,88%. Pouco, certo? Mesmo assim, foi melhor do que em 2016, quando a modalidade rendeu apenas 1,9% ou em 2015, em que foi registrada rentabilidade líquida negativa.

É por isso que muitos brasileiros vão em busca de melhores rendimentos e acabaram conhecendo o Tesouro Direto. A modalidade conquistou muitos fãs por ser, assim como a Poupança, um investimento em renda fixa. Além disso, é bem simples de aplicar, com risco baixíssimo, mas rentabilidade histórica bem superior que a caderneta. Quer conhecer melhor esse investimento? Hoje você vai entender:

  • O que é Tesouro Direto.
  • Como funciona o Tesouro Direto.
  • Quais os custos de investir.
  • Quais as principais vantagens.
  • Quais os riscos do Tesouro.

Como funciona o Tesouro Direto

Assim como os bancos, o governo também emite títulos para se financiar e angariar recursos para despesas com saúde, educação, infraestrutura, e outros. Até alguns anos atrás, esses títulos não eram acessíveis a pessoas físicas, comercializados apenas entre instituições ou através de fundos de investimento.

Em 2002, no entanto, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) criou, em parceria com a BM&FBovespa, o Tesouro Direto, para permitir a negociação de títulos públicos federais por qualquer brasileiro. Tudo por meio da internet, de forma simples e com valor mínimo de apenas R$30,00.

À medida que os brasileiros foram conhecendo como funciona o Tesouro Direto, essa aplicação passou a ameaçar a soberania da Poupança no país. Isso porque esses títulos têm a mesma natureza da caderneta.

Quando você aplica na caderneta, você está “emprestando dinheiro” ao banco para ele oferecer empréstimos a outros correntistas.

Com isso, a instituição cobra juros abusivos dos devedores, em uma ponta, e paga parte minúscula desse percentual, para você. Com os títulos federais, essa relação é mais justa: no Tesouro, o governo “pega seu dinheiro emprestado”, utiliza para realizar suas atividades e oferece juros mais interessantes ao final do prazo. Por isso, se você está pensando em investir no Tesouro Direto, saiba que ele oferece 3 vantagens principais:

  • Liquidez: porque o próprio Tesouro Nacional recompra os títulos diariamente.
  • Segurança: porque o governo garante o pagamento devido no dia combinado.
  • Rentabilidade: maior que a Poupança. Para você ter uma ideia: dos 20 melhores investimentos de 2017, 9 eram títulos do Tesouro Direto.

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Conheça os tipos de títulos do Tesouro Direto

Mas o que é Tesouro Direto e quais os títulos disponíveis? Se você quer entender como funciona o Tesouro Direto, é preciso saber em quais ativos que você pode aplicar e quais as diferenças entre eles. Existem diversos tipos de títulos do Tesouro Direto, e eles são divididos em, basicamente, 3 grupos:

Tesouro Prefixado

Muito buscado por quem tem medo da volatilidade do mercado. No Tesouro Prefixado, você sabe exatamente qual o percentual de rentabilidade de seu título. Ou seja, no dia da compra você já fica sabendo quanto vai receber de volta no vencimento do papel. Simples assim.

Existem 2 tipos de Tesouro Prefixado: o LTN, que paga os juros no vencimento e o NTN-F, com pagamento de juros semestrais.

Tesouro Selic (pós-fixado)

O Tesouro Selic (LFT) paga os juros de acordo com a taxa Selic. Ou seja, quanto maior a Selic, maior sua remuneração. O fato de render a Selic diariamente faz desses papéis os mais conservadores do mercado — e também os mais indicados para investimentos de curto prazo.

Esse título é pós-fixado, ou seja, você tem uma referência do pagamento de juros, mas não sabe exatamente o percentual a receber, porque depende da movimentação da Selic. Dessa forma, se você comprar seu título quando essa taxa estiver em 6,5% e, dentro de 2 anos, ela subir para 14%, seu rendimento terá sido bem maior.

Tesouro IPCA+(híbrido)

Esse título é mais indicado para investimentos no longo prazo, pois a remuneração dos ativos segue a variação do IPCA (índice de Preços ao Consumidor Amplo), além de uma taxa prefixada. Por estar ligado ao índice que mede a inflação, é o único título que garante rentabilidade real positiva, ou seja, ele rende sempre acima da inflação.

Existem 2 tipos de Tesouro IPCA+: o NTN-B Principal que paga todos os juros no vencimento, e o NTN-B com juros semestrais, que paga juros a cada 6 meses. Ambos são muito utilizados por pessoas que investem com foco na aposentadoria, por exemplo.

Como você pôde ver, a escolha do melhor título irá depender do seu perfil, tolerância ao risco e objetivos. E vale lembrar que, além de escolher o título público que se encaixa em seu planejamento, também é importante diversificar seus investimentos. Assim você pode aumentar a rentabilidade e, principalmente, a segurança da sua aplicação.

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Como investir no Tesouro Direto

Investir no Tesouro Direto é extremamente fácil. Assista ao vídeo abaixo e veja como a Toro deixou esse processo simples: 


Agora, confira o passo a passo resumido abaixo:

Escolher uma corretora

Entre em contato com uma corretora de valores ou banco autorizado a negociar esses títulos. A vantagem da corretora é que, diferentemente do banco, focado em outras atividades, a corretora de valores é especializada em investimentos, além de dispor de uma equipe com expertise no mercado para te ajudar a definir os melhores investimentos para seu perfil e objetivo.

Abrir conta

Para abrir conta na corretora, você normalmente terá que preencher um formulário online e pode ser que precise enviar uma foto de seus documentos. Normalmente, esse processo é todo feito pela internet, sem precisar ir pessoalmente à corretora.

Transferir dinheiro

Depois de aberta sua nova conta, você deve fazer a transferência dos valores para corretora via TED, DOC ou transferência bancária. Em muitos casos, se essa operação for feita dentro do horário comercial, os valores serão creditados na conta da instituição no mesmo dia.

Escolher o título

Para facilitar o entendimento de como investir no Tesouro Direto, o próprio site do programa disponibiliza a lista dos títulos disponíveis. Não faça qualquer compra antes de entender como o Tesouro Direto funciona e consultar profissionais especializados. A escolha do título errado pode comprometer muito a sua rentabilidade.

Investir

A corretora deve solicitar ao Tesouro a liberação do seu acesso. Normalmente isso é feito no momento de abertura da conta. Caso contrário, você precisa solicitar que a corretora efetue o seu cadastro. Depois disso, é só avaliar as possibilidades e escolher o título que mais se enquadra nos seus objetivos.

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Custos e tributação

Existem 4 cobranças que ocorrem no Tesouro Direto:

Taxa de custódia

Essa taxa é cobrada pela BM&FBovespa, conhecida agora como B3, no valor de 0,30% ao ano sobre a quantia aplicada, para arcar com os serviços de guarda dos títulos, manutenção da plataforma e remessa de extratos. O pagamento é feito a cada 6 meses, no caso de resgate antecipado do título, vencimento ou recebimento de juros semestrais.

Taxa de Administração

É cobrada pelas instituições financeiras (corretoras de valores ou bancos) e diz respeito à cobertura dos custos com transferência de valores, recolhimento de Imposto de Renda e abertura de cadastro.

Essas taxas são livremente negociadas com quem investe e há muitas instituições que oferecem descontos e até isenções na taxa de administração. Por isso, é muito importante fazer uma pesquisa para descobrir quais são as corretoras que oferecem um bom custo-benefício.

Imposto de Renda

Esse custo incide apenas sobre os rendimento dos títulos do Tesouro Direto, contados a partir da data da compra. Ele é recolhido na fonte, ou seja, quando seu título vence, você solicita o resgate antecipado ou recebe juros semestrais, o valor que chega na sua conta já estará descontado de IR.

Quanto mais tempo você deixar o dinheiro aplicado, menor será o imposto pago. Veja a seguir qual é o percentual a ser pago de acordo com a duração da aplicação:

Prazo IR (%)
Até 180 dias 22,5
De 181 até 360 dias 20,0
De 361 até 720 dias 17,5
Acima de 720 dias 15,0

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)

O IOF será cobrado apenas para aplicações que durem menos de 30 dias. Ou seja, se seu investimento durou mais do que isso, já não será preciso arcar com este custo. Assim como o IR, o IOF também é cobrado de forma regressiva, podendo variar entre 29% a 0.

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Saiba como declarar o Tesouro Direto no Imposto de Renda

Ok, você gostou desse investimento, mas não quer cair na malha fina, certo? Pois bem, muita gente tem dúvida sobre como declarar Tesouro Direto no Imposto de Renda. Então vamos te ajudar a aproveitar as oportunidades do Tesouro sem entrar em problemas com o Fisco.

  • Antes de tudo, o primeiro passo para você que negociou esses ativos no ano anterior é buscar o informe de rendimentos no site da corretora.
  • Seus títulos públicos devem ser registrados na aba “Bens e Direitos” com o código 45. Você deve fazer um lançamento para cada título, descrevendo quantidade, agente emissor, CNPJ e data da aplicação, no campo “discriminação”.
  • Para quem solicitou o resgate antecipado ou o título chegou ao vencimento, também será preciso ir na aba "Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva", e inserir o código 06 - rendimento de aplicações financeiras.
  • A fonte pagadora será a corretora, com seu respectivo CNPJ. No campo “valor”, você deve colocar o valor final indicado no informe da sua corretora.

Como você pode ver, o Tesouro Direto tem Imposto de Renda, mas a declaração é bastante simples. E, como o imposto é retido na fonte, não há nenhuma guia para pagar após a declaração.

Riscos

Todos os investimentos possuem riscos, inclusive a Poupança. No caso da caderneta, como já falamos em artigos anteriores, o que determina sua segurança é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele assegura ressarcimento no valor máximo de R$250 mil por CPF e por instituição. Ou seja, quem investe mais do que isso em Poupança, corre sérios riscos caso o banco declare falência, por exemplo.

No caso do Tesouro Direto, por se tratar de um investimento oferecido pelo governo, esse risco de calote é praticamente nulo. Isso porque, caso o Estado esteja na mais profunda crise, ele tem autonomia para emitir mais papel-moeda e, assim, quitar suas dívidas internas.

Investir em títulos públicos é uma excelente ideia, mas também é interessante diversificar, investindo em outras modalidades que também possuem as principais vantagens do Tesouro Direto: segurança, liquidez e rentabilidade.

Quando você investe por meio de uma boa corretora de valores, tem a vantagem de aplicar em outros ativos que também oferecem essas vantagens. A corretora é um verdadeiro “shopping de investimentos”, com uma infinidade de títulos que podem potencializar sua estratégia, além de te ajudar a construir uma carteira vencedora.

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