By Equipe Toro Investimentos • Abril 18, 2018

Dividendos - Entenda o que é e como lucrar com esse investimento

Você deve ouvir frequentemente que uma determinada empresa bateu recordes de lucratividade em um trimestre ou semestre, por exemplo. E os valores costumam girar em torno de milhões de reais e até chegar à casa dos bilhões.

Talvez você já tenha parado para imaginar o que faria com essa bolada em mãos. Bem, se você não é dono de uma empresa, fica complicado receber o valor integral dos lucros dela direto na sua conta. Mas sabia que dá para receber parte dessa lucratividade?

É por isso que muita gente investe em dividendos.

Veja bem, uma empresa que registrou lucro pode utilizar esse dinheiro de 3 principais formas:

  • Reinvestir os lucros em projetos de expansão, para pagar dívidas e/ou recomprar ações.
  • Pagar uma parte dos lucros a seus acionistas.
  • Reinvestir uma parte e, com a outra, pagar o lucro aos acionistas.

Quando a empresa decide distribuir parte dos seus lucros aos acionistas, ocorre então o pagamento de dividendos. Entendeu?

Neste artigo, você também vai aprender:

  • O que são dividendos
  • Como são calculados
  • Como é feito o pagamento
  • Como reinvestir
  • Quais os custos e tributos deste investimento
  • O que é e como construir uma carteira de dividendos

O que é dividendo?

dividendos| Dividendos são uma forma de distribuir os lucros de uma empresa a seus acionistas.

Vamos direto ao ponto. De forma resumida: dividendos são uma parte dos lucros de uma empresa distribuída a seus acionistas como forma de remuneração. Por isso, a maioria das empresas estáveis distribuem dividendos. Essa oferta de dividendos funciona como uma maneira da empresa atrair investidores.

Além disso, no Brasil, há uma lei que obriga as empresas a distribuir, no mínimo, 25% dos lucros aos seus acionistas.

Isso porque o preço das ações da maioria das empresas que pagam bons dividendos não costuma variar muito. Dessa forma, a distribuição dos lucros serve para recompensar os investidores que compram essas ações.

Se por um lado esse tipo de pagamento consegue atrair novos investidores e, consequentemente, valorizar as ações da instituição, por outro quem adquire esse tipo de ação também tem uma vantagem interessante. Afinal, receber parte dos lucros de uma empresa pode ser uma boa opção para gerar rentabilidade no longo prazo.

E isso se justifica já que as melhores pagadoras de dividendos costumam ser instituições que não são afetadas tão fortemente em momentos desafiadores. Ou seja, conseguem obter lucros mesmo quando a economia do país não está indo tão bem.

Então, quem possui ações acaba recebendo parte desses lucros mesmo quando o mercado não está tão favorável.

É importante lembrar que nem todas as empresas listadas na Bolsa de Valores pagam dividendos. E também não há garantias concretas de pagamento mesmo para aquelas que têm um histórico positivo.

Isso porque uma empresa que distribui seus lucros pode aumentar os valores distribuídos, mas também pode diminuir ou até suspender essa distribuição, caso haja alguma mudança no seu negócio.

Se durante o último ano os lucros obtidos pela empresa diminuírem, por exemplo, o pagamento de dividendos no futuro poderá ser afetado. Mas não precisa se preocupar.

Como dissemos logo ali em cima, pagar dividendos é uma forma de atrair investidores. Então, uma empresa está sempre disposta a manter esse pagamento, e até aumentá-lo quando possível, para deixar seus acionistas satisfeitos.

O grande segredo é saber escolher boas ações para investir, não somente pelo pagamento de dividendos mas pelas suas perspectivas de crescimento e valorização.

Tipos de dividendos

tipos-de-dividendos|O pagamento dos lucros aos acionistas pode ser feito em dinheiro ou em ações.

Agora que você já aprendeu o que são dividendos, sabia que existem tipos diferentes de distribuição?

Como você viu, é possível receber parte do lucro de uma empresa após adquirir suas ações. Esse pagamento, por sua vez, pode ser em dinheiro, em novas ações ou até mesmo em forma de propriedade. Essa última opção, porém, é bem mais raro de acontecer.

Que tal entender melhor como funcionam essas formas de pagamento?

  • Em dinheiro: pode ser cotado em reais (por exemplo, R$3 por ação) ou em percentual (3% por ação, por exemplo). Em muitos casos, os investidores podem utilizar os valores recebidos para comprar mais ações daquela empresa.

  • Em ações: o pagamento, nesse caso, é feito na forma de ações adicionais em vez de dinheiro. Ou seja, no lugar de receber uma quantia em reais, o investidor recebe mais ações daquela empresa.

Para ficar mais fácil de entender, veja só um exemplo:

Um investidor possui 200 ações da Vale em carteira e vai receber dividendos em ações. Digamos que a empresa tenha definido que pagará 3 ações para cada 100 ações em carteira. Então, neste caso, o investidor vai receber 6 ações como pagamento.

Não precisa se preocupar com o valor da ação durante este processo. A quantidade de ações que um acionista possui aumenta, mas isso não tem um efeito imediato sobre o valor total das ações de cada um.

  • Especial: há casos em que são feitos pagamentos especiais, também chamados de dividendos one-time. Em uma situação como essa, o pagamento é um ponto fora da curva na agenda de dividendos. Existem diversos motivos para isso ocorrer. Por exemplo, uma empresa pode registrar aumento de caixa após vender uma parte do seu negócio e, então, compartilhar parte do ganho com seus acionistas.

Quer um exemplo real que já ocorreu? No final de 2012, várias empresas dos EUA distribuíram dividendos especiais já que, no ano seguinte, havia a possibilidade de ter que pagar tributos mais altos por isso.

Vale lembrar que os pagamentos feitos em dinheiro ou em ações dependem do número de ações que o investidor já possui. Então, quem tem 500 ações de determinada empresa pagadora de dividendos vai receber proporcionalmente mais em comparação com quem possui 100 ações.

Como calcular dividendos

dividendos-a-pagar|A quantia a ser paga normalmente é calculada como um valor por ação em dinheiro ou porcentagem.

Como você já começou a entender, os dividendos normalmente são calculados como um valor por ação (em dinheiro ou porcentagem). Dessa forma, cada um recebe um valor de acordo com a quantidade de ações que possui em carteira.

Por exemplo:

Quem possui 300 ações da Petrobras, que paga R$3 por ação, vai receber:

  • Quantidade de ações: 300
  • Valor do dividendo: R$3
  • 300 ações X R$3 = R$900

Agora, vamos imaginar que o exemplo fosse em porcentagem, isto é, em vez de um valor em dinheiro, fosse pago um percentual do preço atual da ação. Nesse caso, só para ilustrar, digamos que as ações da Petrobras estavam sendo negociadas a R$30 e os dividendos seriam de 3% por ação.

A conta seria o percentual vezes o valor da ação vezes a quantidade de ações. Veja só o cálculo:

  • Quantidade de ações: 300
  • Percentual de dividendo: 3%
  • Valor por ação: R$30
  • 3% X R$30 X 300 = R$270

Não custa nada lembrar que os exemplos acima são situações imaginárias, ou seja, não necessariamente ocorreram na vida real. Os exemplos servem apenas como uma forma de explicar o cálculo de dividendos na prática.

E mesmo que fossem verdadeiros, precisamos lembrar que valores do passado não são garantia de ganhos futuros.

O que acabamos de mostrar é apenas uma forma de calcular. Outra possibilidade é calculando o Dividend Yield (DY). Essa palavrinha estranha é usada para definir o dividendo anual de uma ação dividido pelo seu preço atual.

Quer ver na prática? Confira a fórmula para calcular:

dividend-yield-1

Digamos que as ações do Magazine Luiza estejam sendo negociadas a R$100 e que a empresa vá pagar um dividendo anual de R$5 por ação. Nesse exemplo, o Dividend Yield seria de:

R$5 ÷ R$100 (preço da ação) = 5%

Caso a ação estivesse valendo ainda mais, digamos R$200, o DY seria menor. Veja o cálculo:

R$5 ÷ R$200 (preço da ação) = 2,5%

Por outro lado, se o valor da ação fosse menor, por exemplo R$50, o DY iria aumentar.

R$5 ÷ R$50 (preço da ação) = 10%

Um lembrete importante: buscar DY altos nem sempre é a melhor saída. Isso porque valores de Dividend Yield elevados costumam indicar que uma empresa tem pouca perspectiva de crescer, funcionando como um sinal de alerta de que as finanças podem não estar indo muito bem.

Um raciocínio parecido vale para quando o DY está baixo. Nesse caso, ocorre o contrário:  ações com um baixo Dividend Yield muitas vezes demonstram uma expectativa maior de crescimento para aquela empresa.

Como é feito o pagamento de dividendos

pagamento-de-dividendos|Até chegar aos bolsos dos acionistas, o pagamento precisa passar por algumas etapas.

Chegamos a uma parte que muita gente tem dúvidas. Saber como é feito o cálculo, é uma informação importante. Mas a maioria das pessoas está mais interessada em saber qual é o processo para que o valor possa chegar ao seu bolso.

Antes de mais nada, é preciso entender a periodicidade de pagamento. Como já falamos lá em cima, o pagamento de dividendos não possui um cronograma fixo. Isto é, pode ser que uma empresa que pagou no último semestre, deixe de pagar no próximo.

Mas normalmente esses pagamentos são feitos trimestral, semestral ou anualmente. Essa definição vai depender de cada empresa, ok?  

Além disso, é importante saber que a empresa não simplesmente decide pagar dividendos e no outro dia o valor já está na conta de todos os acionistas. Na verdade, o processo tem algumas etapas. Veja só:

  1. O pagamento deve ser aprovado pelo conselho de administração da empresa, que faz reuniões de tempos em tempos para checar se existe algum lucro que deve ser repassado aos acionistas.
  2. A segunda etapa é protocolar esse processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é a instituição responsável por regular o mercado de capitais. Esse protocolo serve, entre outras coisas, para informar os acionistas e as demais pessoas sobre quando e como os dividendos serão pagos.

Quando esse aviso é publicado, investidores já ficam atentos à possibilidade de receber parte desses lucros. Por isso, muitas pessoas ficam de olho na agenda de dividendos.

Entenda mais sobre isso a seguir.

Agenda de dividendos

agenda-de-dividendos|Algumas datas são importantes e devem ser acompanhadas pelos investidores.

Essa agenda é considerada por muitos como um apanhado de todas as empresas que podem fazer o pagamento de dividendos daqui para frente. Mas normalmente ela não passa de uma previsão do que pode ocorrer nos próximos meses ou semanas.

Como você já sabe, diversos fatores podem afetar a distribuição de lucros e proventos de uma ação, como um acontecimento inesperado que provoca queda nos lucros da empresa ou a decisão de utilizar esses ganhos para expandir o negócio e investir em melhorias.

Essa é uma ideia do que é agenda de dividendos. Podemos dizer que existe uma outra agenda, que essa sim é importante e mais definitiva. Isso porque existem algumas datas que precisam ser acompanhadas por quem vai receber parte dos lucros de uma empresa.

Descubra quais são elas:

1) Data de Declaração

A data de declaração é o nome dado para o momento em que o conselho de administração de uma empresa anuncia que haverá o pagamento de dividendos.

Essa declaração costuma vir com as seguintes informações:

  • Valor do dividendo - quanto será pago por cada ação.
  • Data de registro - quando a empresa registra todos que vão receber os lucros.
  • Data de pagamento - quando os investidores vão receber.

A data de declaração é muito importante, pois depois desse dia a empresa é obrigada por lei a honrar o compromisso que assumiu.

2) Data ex-dividendo (ou ex-data)

Depois disso vem a data ex-dividendo, também chamada de ex-data. Ela é definida pela Bolsa de Valores e serve para organizar quem vai receber o dividendo que a empresa acabou de anunciar.

De forma resumida, quem adquire ações da empresa antes da data ex-dividendo vai receber os lucros distribuídos. Agora, se um investidor compra a ação daquela empresa a partir da ex-data, ele não irá receber o pagamento. Nesse caso, quem terá o direito ao valor será o investidor que vendeu as ações para ele.

Para descomplicar, veja um exemplo:

Vamos imaginar que a Ambev tenha anunciado que vai pagar dividendos em dinheiro e a ex-data definida pela Bolsa foi dia 5 de março. A Lúcia comprou ações da Ambev no dia 4 de março e, portanto, receberá os valores normalmente, conforme a quantidade de ações que ela tem em carteira.

Porém, o Tiago comprou ações da Ambev na data ex-dividendo, no dia 5 de março, então ele não terá direito a receber os dividendos. Quem vai receber será quem vendeu as ações para o Tiago no dia 5.

É essencial lembrar que esse exemplo é para quando o pagamento é feito em dinheiro. No caso do pagamento em ações, o processo é diferente: a ex-data será o primeiro dia útil após o pagamento dos dividendos.

3) Data de Registro

Depois de anunciar a distribuição dos lucros e ter a data ex-dividendo definida, a empresa deve determinar a data de registro. Ou seja, o dia em que vai registrar todos os acionistas que vão receber dividendos e enviar relatórios financeiros, procurações e outras informações.

4) Data de Pagamento

Esta data já se entrega pelo nome. A data de pagamento é o dia previsto para que os valores combinados sejam pago aos acionistas.

Veja na tabela a seguir a organização das datas que acabamos de explicar:

Data de declaração Data ex-dividendo Data de registro Data de pagamento

Data que a empresa anuncia o pagamento.

Data que delimita quais acionistas vão receber os dividendos. Data em que a companhia registra todos os acionistas que vão receber o pagamento. Data em que o valor é pago aos acionistas.

Depois dessas etapas, o investidor só precisa aguardar o dividendo ser pago para poder utilizá-lo como bem entender. Muitas pessoas, por exemplo, costumam usar os valores recebidos para comprar mais ações que pagam dividendos.

No próximo bloco, você vai entender por que essa pode ser uma estratégia inteligente. Mas se quiser investir os valores recebidos em outras oportunidades, também pode ser uma boa ideia.

Como reinvestir dividendos

data-ex-dividendos|Reinvestir os valores recebidos pode ser uma boa estratégia para aumentar capital.

Uma das vantagens desse tipo de investimento que muita gente não sabe, é chance de aumentar capital usando o poder dos juros compostos. Isso é possível quando alguém recebe um valor em dividendos e o utiliza para comprar mais ações que distribuem lucros.

Nesse sentido, os juros compostos podem impulsionar o capital investido. Isso porque ocorre o que chamamos de juros sobre juros, que se acumulam não apenas sobre o dinheiro investido, mas também sobre os juros acumulados anteriormente.

Vamos ver um exemplo para ficar mais fácil de entender:

Digamos que uma ação do Banco do Brasil, que vale R$50, paga R$7,50 de dividendos por ação no primeiro ano em que uma pessoa começou a investir na empresa. Com isso, ela ganha 15% de lucro. No entanto, em vez de resgatar o dinheiro, ela decide para comprar mais ações do Banco do Brasil.

No ano seguinte, o BB realiza um novo pagamento de dividendo de R$7,50 por ação. Porém, agora em vez de 15%, o lucro passou a ser de 16,5% já que há um aumento de 1,5% por causa dos valores reinvestidos no ano passado.

Seguindo essa lógica, o investidor decide reinvestir o que recebeu novamente. E, pela terceira vez, o Banco do Brasil determinou o pagamento de mais R$7,50. O lucro registrado pelo investidor do nosso exemplo passa a ser de 18,15%, já que ele somou mais 1,65% aos lucros que obteve no ano anterior.

É basicamente assim que funcionam os juros compostos ao reinvestir em dividendos. Não é à toa que muitas empresas criam um Programa de Reinvestimento.

Plano de Reinvestimento de Dividendos (PRD)

Um Plano de Reinvestimento de Dividendos, também chamado pela sigla PRD, é um plano oferecido por uma empresa que permite aos investidores reinvestir os dividendos pagos em dinheiro automaticamente.

Esse reinvestimento pode ser uma compra adicional de ações ou frações de ações na data de pagamento. O mais interessante desse plano, além da possibilidade de reinvestir e acumular juros compostos, é que em muitos casos é possível comprar ações adicionais com um desconto sobre o preço atual da ação.

Isso significa que se a ação da empresa estiver cotada a R$70 na data de pagamento, os investidores podem adquiri-las por um valor menor através do PRD.

► Para a empresa, o Plano de Reinvestimento pode ser uma boa saída para vender ações e utilizar essa receita no próprio negócio, já que as ações são vendidas diretamente pela empresa e não através da Bovespa.

► Para o investidor, essa opção pode ser interessante porque é uma forma bastante cômoda de reinvestir seus dividendos. Mas há uma desvantagem para o acionista: nesse processo de PRD, é preciso pagar impostos.

Agora que você entendeu como investir (e reinvestir) em dividendos pode ser uma boa ideia. Que tal aprender como montar uma carteira?

Carteira de dividendos: o que é e como criar a sua

carteira-dividendos|Criar uma boa carteira de dividendos não é tão complicado como se imagina.

Diante de tantos pontos positivos, é provável que você tenha adquirido um grande interesse em investir nessa modalidade. Levando isso em consideração, precisamos destacar que o mais indicado não é comprar ações de apenas uma empresa pagadora de dividendos. Mas sim, adquirir ações de empresas diferentes (com boas perspectivas) e construir uma carteira de dividendos.

Essa carteira será basicamente um conjunto de ações que você comprou e que têm boas chances trazer um resultado interessante no médio e longo prazo com o pagamento de dividendos.

É fundamental destacar que, na hora de escolher as ações de empresas para construir uma boa carteira, é necessário considerar alguns fatores como por exemplo:

  • Dividend Yield
  • Preço da ação
  • Saúde financeira
  • Gestão

Viu como o Dividend Yield é um fator importante, mas não deve ser o único parâmetro na hora de escolher? Esses são apenas alguns exemplos do que você deve analisar para criar uma carteira de dividendos.

Lembre-se sempre que é essencial analisar a conjuntura da empresa como um todo. Ou seja, sua estabilidade diante de crises, a competência do conselho de administração, sua atuação comparada aos concorrentes, e a oscilação de suas ações no mercado são alguns dos tópicos que também precisam ser examinados.

Outra informação para ter atenção é em relação à periodicidade dos pagamentos. Isso porque não adianta pagar um valor alto aos acionistas um vez a cada 10 anos. É mais interessante que esse pagamento seja de um valor competitivo, mas com uma frequência legal.

Por outro lado, não necessariamente será melhor investir apenas em empresas que pagam dividendos com mais frequência, por exemplo mensalmente. Em muitos casos, os valores recebidos podem ser decepcionantes.

Mais uma dica de ouro que já adiantamos ali em cima: é importante investir em diversidade. Isso significa que não é uma boa ideia aplicar todo o seu dinheiro em apenas uma ação que paga bons investimentos.

O melhor é diversificar as aplicações em ações de diferentes setores. Dessa forma, se uma empresa de um setor específico entrar em crise, as outras ações que você tiver na carteira poderão compensar esse problema.

Sua carteira também não precisa ser construída apenas com ações. Combinar estes ativos com outros títulos, como por exemplo Tesouro Direto, Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Letras de Crédito (LCI e LCA), pode ser ainda mais interessante para controlar os riscos.

Para matar sua curiosidade sobre quais ações de empresas costumam distribuir lucros e te ajudar a construir sua carteira, confira na tabela a seguir as empresas que costumam pagar dividendos regularmente:

Código da ação Empresa Setor
BBAS3 Banco do Brasil Bancário
BBDC4 Banco Bradesco Bancário
BBSE3 BB seguridade Seguros
BRSR6 Banrisul Bancário
B3SA3 B3 Bolsa Brasil Balcão Financeiro
CGAS5 Comgás Gás
GGBR4 Gerdau Siderurgia e Metalurgia
ITSA4 Itausa Financeiro
ITUB4 Itaú Unibanco Bancário
MPLU3 Magazine Luiza Consumo
SANB11 Banco Santander Bancário
TAEE11 Taesa Utilidade pública
VALE3 Vale Mineração

Vale lembrar que não há 100% de certeza de que as ações acima irão pagar bons dividendos daqui para frente. Como dissemos, há chances de algum imprevisto acontecer e mudar este cenário.

Custos e tributos

dividendos-custos-tributos|Uma vantagem deste investimento é a isenção de Imposto de renda, o que atrai muitos investidores.

Chegamos a um assunto que é preocupação de muitas pessoas. Com tantas vantagens, é possível que surja uma desconfiança em relação ao custo desse investimento. No caso dos dividendos, eis uma boa notícia: eles são isentos de Imposto de Renda.

Isso é possível porque a empresa que distribui os lucros já paga o imposto antes de repassar os valores aos acionistas. Ou seja, há um entendimento de que, se o investidor também pagasse IR, estaria havendo tributação dupla.

Um detalhe importante: a regra de isenção vale somente para pessoas físicas. Portanto, caso uma pessoa jurídica decida investir em dividendos, terá que pagar imposto também.

Por causa dessa vantagem em relação ao IR, essa modalidade de investimento continua atraindo muitos investidores. No entanto, há alguns rumores de que a isenção pode deixar de existir. Mas por enquanto o investimento permanece na lista das aplicações que não pagam Imposto de Renda.

Já que estamos nesse assunto de custos e tributos, vale a pena falar sobre o pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP). Esta é outra forma que as empresas possuem para distribuir seus lucros.

Porém, ao contrário dos dividendos, quem recebe JCP tem 15% de Imposto de Renda retido na fonte. Por isso, em comparação aos dividendos, o pagamento de JCP costuma ser maior, como uma forma de compensar o pagamento do tributo pelos acionistas.

Investir em dividendos vale a pena?

investir-dividendos|É preciso saber escolher as melhores ações para investir e conquistar bons resultados.

Antes de chegarmos nesse ponto, que tal recapitular os principais assuntos que abordamos?

Neste artigo, entre outras coisas, você viu:

  • Dividendos: o que é

São o pagamento de parte dos lucros de uma empresa, que são feitos normalmente em dinheiro ou em ação.

  • O que é Dividend Yield

É um índice financeiro calculado para determinar a relação entre quanto uma empresa paga em dividendos e o preço de suas ações anualmente. Ele é calculado a partir da divisão do dividendo anual por ação pelo preço atual da ação.

  • Como calcular dividendos

O cálculo pode ser feito por um valor por ação, em dinheiro ou porcentagem. Cada acionista recebe parte dos lucros de acordo com a quantidade de ações que tem em carteira.

  • Data de Declaração

É a data em que o conselho de administração da empresa divulga a distribuição dos próximos dividendos.

  • Data ex-dividendo

Esta é a data que limita o recebimento dos dividendos anunciados na data de declaração.

  • Plano de Reinvestimento dos Dividendos (PRD)

É oferecido por algumas empresas e permite reinvestir automaticamente os dividendos recebidos na compra de ações adicionais.

Diante do que falamos aqui, você deve estar se perguntando se investir nessa modalidade vale a pena. O mais importante disso tudo é entender que investir em ações que pagam dividendos é uma decisão acertada desde que você saiba escolher boas ações.

Além disso, você precisa se lembrar sempre de um detalhe crucial: os dividendos são um atrativo a mais que podem trazer resultados ainda melhores para os seus investimentos. Mas não devem ser seu único objetivo.

O mais legal é construir uma carteira de investimentos diversificada, combinando diferentes ativos para diminuir os riscos e aumentar suas chances de sucesso. Isso tudo alinhado, é claro, ao seu perfil e à sua estratégia.