A taxa Selic é definida pelo BC como uma ferramenta de política monetária para controlar a inflação. Quando a inflação está alta, o Banco Central a aumenta para reduzir a demanda por crédito e desacelerar a economia.
Quando a inflação está baixa, ele pode reduzir a Selic para estimular a economia e aumentar a demanda por crédito. A manutenção da taxa Selic é uma estratégia para manter a estabilidade econômica e evitar choques inflacionários ou recessões.
Entre janeiro de 2017 e janeiro de 2026, o Copom alterou a taxa básica de juros 46 vezes em 72 reuniões.
A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para, entre outros compromissos, definir o valor da taxa básica de juros da economia. Logo, o Copom pode tomar 3 decisões possíveis: aumentar, baixar ou manter a Selic no mesmo patamar.
Neste artigo, falaremos sobre como ocorrem as alterações na taxa Selic, porque ela sobe, desce ou é mantida no mesmo patamar.
Ao final da leitura, você saberá quais fatores da conjuntura econômica observar para antecipar os movimentos dessa taxa e criar estratégias de investimento. Vamos lá?
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Por que a taxa Selic sobe ou desce?
Mas, afinal, por que o Copom decide mexer ou manter a Selic? A taxa básica de juros é o principal mecanismo utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, pois ela determina, em termos leigos, o “custo do dinheiro”.
Portanto, nos períodos em que a inflação está elevada e uma de suas causas seja monetária (excesso de moeda em circulação), é de se esperar que o Copom eleve a taxa Selic.
Ao fazer isso, tomar empréstimos, fazer financiamentos, emitir títulos de dívida, por exemplo, ficam mais caros. Assim sendo, haverá menos dinheiro circulando, uma vez que os agentes econômicos (empresas, famílias etc) vão aguardar momentos mais oportunos e de crédito mais barato.
Logo, o inverso também é verdadeiro. Quando o Banco Central constata que a inflação está controlada e precisa estimular o crescimento econômico (consumo das famílias, expansão das empresas e gastos do governo), ele reduz a taxa Selic.
Histórico atualizado da taxa Selic
Confira, no gráfico a seguir, a movimentação da taxa Selic desde 2011:
O valor que o Bacen estipula é uma meta para os juros e não um valor exato. Ele realiza a aproximação ao valor da meta comprando e vendendo títulos públicos no mercado, outra forma de retirar ou colocar dinheiro em circulação.
Há outros mecanismos pelos quais o BC pode “enxugar” o volume de dinheiro na economia, mas a alteração da taxa básica de juros segue como a principal.
É importante dizer ainda que o efeito das alterações na Selic não é imediato. São necessários alguns meses para que alteração nos juros seja observada no dia a dia. Para os economistas, esse prazo varia entre 9 e 12 meses.
Então, se o Copom optar por elevar os juros hoje, apenas daqui a 3 trimestres é que vamos poder avaliar se essa ação foi suficiente para conter a elevação dos preços.
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A Selic vai subir ou cair esse ano?
Segundo o Boletim Focus, a Selic deve terminar 2026 em cerca de 12,00%, com a possibilidade de redução futura dependendo da inflação e da economia.
A tendência principal para a Selic em 2026 é de queda, mas em um ritmo mais lento e cauteloso do que o previsto inicialmente.
Após manter a taxa em 15% por quase um ano, o Copom consolidou um ciclo de cortes, reduzindo a Selic para 14,50% ao ano em sua reunião de abril de 2026.
Segundo o Boletim Focus mais recente (11/05/2026), o mercado financeiro elevou consideravelmente suas expectativas, projetando agora que a taxa básica encerre o ano em 13,00%.
Essa cautela deve-se à inflação resiliente e à pressão nos preços das commodities, especialmente o petróleo, devido aos conflitos no Oriente Médio. O Banco Central sinalizou que novos cortes dependerão da evolução desses riscos externos e da ancoragem das expectativas domésticas.
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Quando a Selic vai começar a baixar?
Afinal, a Selic vai cair? Conforme as últimas reuniões do Copom, o Banco Central sinalizou a interrupção da subida dos jutos, após elevar a taxa para 15% ao ano.
Veja um histórico recente:
- Março de 2024: a taxa chegou a 10,75%. Em seguida, foi novamente cortada, em maio, para 10,50% ao ano.
- Setembro de 2024: devido à incerteza e à pressão inflacionária ainda presente, foi novamente elevada a 10,75% ao ano. Em novembro do mesmo ano, ela subiu para 11,25%, enquanto em dezembro houve aumento para 12,25%.
- Janeiro a Maio de 2025: o Copom acelerou o aperto monetário. A Selic subiu para 13,25% em janeiro e atingiu 14,25% em março.
- Julho de 2025 a Janeiro de 2026: a taxa permaneceu estacionada em 15,00% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, visando ancorar as expectativas de inflação para 2026.
- Março de 2026: após seis meses de manutenção, o Copom iniciou um novo ciclo de flexibilização, reduzindo a taxa em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.
- Abril de 2026: após iniciar a flexibilização em março, o Copom deu continuidade ao ciclo com um novo corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa Selic para 14,50% ao ano.
Previsão e projeção para a Taxa Selic até 2028
Qual é a previsão para a taxa Selic no mercado hoje? No Boletim Focus, o mercado projeta os valores para a taxa Selic até 3 anos à frente.
Em 2026, deve terminar o ano em 13%, valor acima do que deve se manter em 2027 (11,25%) e 2028 (10,00%).
| Ano | Taxa Selic |
|---|---|
| 2026 | 13,00% ao ano |
| 2027 | 11,25% ao ano |
| 2028 | 10,00% ao ano |
| 2029 | 9,75% ao ano |
Lembrando que essas previsões são atualizadas semanalmente. Então, confira os valores atualizados no site do Banco Central.
Datas das próximas reuniões do Copom em 2026
Como foi dito, o Copom se reúne a cada 45 dias para discutir os rumos da economia e definir as próximas ações na política monetária.
As próximas reuniões do Comitê serão nas seguintes datas:
| Reunião | Data |
|---|---|
| 276ª reunião | 27 e 28 de janeiro de 2026 |
| 277ª reunião | 17 e 18 de março de 2026 |
| 278ª reunião | 28 e 29 de abril de 2026 |
| 279ª reunião | 16 e 17 junho de 2026 |
| 280ª reunião | 4 e 5 de agosto de 2026 |
| 281ª reunião | 15 e 16 de setembro de 2026 |
| 282ª reunião | 3 e 4 de novembro de 2026 |
| 283ª reunião | 8 e 9 de dezembro de 20 |
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Ata do Copom: o que o BC pensa em fazer?
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua 278ª reunião (28-29 de abril de 2026), decidiu reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,50% ao ano.
A decisão foi tomada em um cenário de elevadas incertezas globais, com destaque para os conflitos geopolíticos no Oriente Médio e seus reflexos nas condições financeiras e nos preços de commodities.
No plano doméstico, a atividade econômica segue em trajetória de moderação, mas o mercado de trabalho ainda mostra resiliência.
O Copom observou que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se da meta. As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus permanecem acima da meta, em 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027, com desancoragem adicional para horizontes mais longos, como 2028.
As projeções de inflação do Copom no cenário de referência (com Selic da Focus e câmbio em R$5,00/US$) indicam 4,6% para 2026 e 3,5% para o quarto trimestre de 2027. O Comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem elevados.
Apesar dos riscos, o Copom considerou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária.
No entanto, o Comitê reforçou a necessidade de perseverança e firmeza, indicando que o cenário de expectativas desancoradas exige uma restrição monetária maior e por mais tempo.
A manutenção da Selic em 14,50% a.a. é vista como compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante.
➡️ Leia a ata da última reunião do Copom na íntegra
Qual a previsão/projeção da inflação para 2026?
Como você aprendeu neste artigo, a inflação é o principal indicador que o BC utiliza para monitorar possíveis alterações na taxa Selic.
Para este ano, o mercado estipulava as seguintes previsões para a inflação no início do ano:
| Ano | IPCA previsto |
|---|---|
| 2026 | 4,91% |
| 2027 | 4,00% |
| 2028 | 3,64% |
| 2029 | 3,50% |
Esses números também são atualizados toda semana. Logo, sempre se lembre de conferir os valores vigentes no Boletim Focus.
Então, para saber se a Selic vai subir, baixar ou se manter, basta acompanhar as decisões e as declarações do BC sobre a inflação para ter uma ideia de qual será o próximo movimento dos juros.
Confira o comportamento da inflação nos últimos anos:
Como investir de acordo com o valor da taxa Selic?
Se a taxa básica de juros é alterada constantemente, como saber qual é a melhor decisão de investimento entre Renda Fixa e Renda Variável?
O ideal é que você converse sempre com o seu Assessor de Investimentos para que, juntos, construam uma carteira diversificada de modo a aproveitar os melhores investimentos do momento.
Via de regra, os investidores tendem a adotar a seguinte postura a diferentes valores da Selic:
Investimentos mais procurados com a Selic em alta
As aplicações mais buscadas com a Selic em alta são:
- Tesouro Selic e demais títulos públicos.
- Fundos de Renda Fixa.
- CDBs que rendem próximo de 100% do CDI ou mais.
- Renda Fixa Corporativa (CRIs, CRAs, debêntures etc).
- FIIs de papel com carteiras expostas à taxa DI.
Investimentos mais procurados com a Selic em baixa
- Ações.
- Fundos Imobiliários (FIIs).
- ETFs.
- BDRs.
- Fundos de Ações, Cambiais e Multimercados.
- Operações estruturadas.
Para terminar, lembre-se de que, independentemente do valor da Selic ou se ela vai subir, descer ou não se alterar, você deve montar um portfólio de investimentos diversificado e sólido para enfrentar os diversos cenários econômicos, sempre lembrando dos seus objetivos e perfil de risco.