Já imaginou como a vida seria difícil sem os bancos? Para começar, nem usaríamos dinheiro e voltaríamos a realizar trocas de bens, o escambo. Ou seja, nada prático. Para que o mercado financeiro funcione adequadamente, é preciso que o sistema todo seja regulado. É isso que faz o Banco Central do Brasil.

Desde a quantia de dinheiro circulando na economia às tarifas cobradas pelos bancos, tudo que envolve as operações monetárias, de crédito e cambiais passa pelo Banco Central, que também é conhecido por aqui como Bacen, BC ou BCB.

Continue lendo e entenda melhor o funcionamento dessa importante estrutura do Sistema Financeiro. Saiba também como utilizar dados divulgados pelo Banco Central no seu dia a dia e confira, ainda, algumas curiosidades sobre o BC.

O que é Banco Central do Brasil (Bacen)

O Banco Central é uma autarquia autônoma, ou seja, uma entidade que exerce suas funções com autonomia, sem subordinação a outro órgão do poder público. Criado em 1964, o Bacen é a instituição responsável por garantir a estabilidade econômica do país, por meio da manutenção do poder de compra da moeda e da regulação do sistema financeiro.

Qualquer instituição financeira depende da autorização do BCB para funcionar e está sujeita às suas fiscalizações. 

Sem essa atuação forte no sistema financeiro, seria inviável estabelecer relações econômicas equilibradas. Por exemplo, os bancos comerciais estão sujeitos a algumas regras. É claro que eles têm liberdade para estabelecer condições de oferta de produtos. Entretanto, estão limitados pelas determinações do Banco Central, que são adotadas para assegurar direitos aos cidadãos, além de uma concorrência justa entre as empresas do setor.

Assim, alguns serviços bancários devem ser gratuitos aos correntistas, como o fornecimento de cartão de débito, compensação de cheques, entre outros. Esse é só um exemplo da importância da regulação do sistema financeiro no nosso dia a dia.

Instituições financeiras especializadas em investimento, as conhecidas corretoras de valores, também precisam ser autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central. É por isso que investir nessas instituições, muitas vezes, envolvem as mesmas garantias de segurança do que qualquer banco.

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Principais funções do Banco Central do Brasil

Outras atividades do Bacen também geram reflexo no nosso bolso, só que nem sempre percebemos isso de forma tão evidente. Você sabia que uma das principais funções do Banco Central é controlar a inflação? Pois é, vamos explicar melhor como isso funciona a seguir.

O Banco Central do Brasil (BCB) é responsável por regular e supervisionar todo o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Essa é uma responsabilidade enorme e que tem reflexos imediatos nas nossas vidas, influenciando em fatores como preços, crédito e negociações em moedas estrangeiras.

Segundo o Bacen, sua missão é: assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente.

O BCB atua fortemente no controle da inflação. Isso é possível graças à regulação na quantidade de dinheiro que circula no país. A lógica é a de que muito dinheiro na economia estimula o consumo, o que, por sua vez, eleva os preços, já que a demanda para compras pode superar a produção.

Entra em jogo, portanto, a tal da lei da oferta e da procura. Quando há mais pessoas dispostas a comprar, mas a quantidade ofertada é baixa, os preços sobem. Do contrário, quando a oferta é muito superior à demanda de consumo, os preços caem.

Vale lembrar também que quando há uma elevação significativa na cotação do dólar, que é a principal moeda estrangeira negociada no Brasil, pode haver reflexos no preço de produtos e insumos importados. É por isso que a condução das políticas monetária, cambial e de crédito ficam sob responsabilidade do Banco Central.

Além disso, há uma série de outras atribuições que a instituição deve cumprir, como:

  • Controlar o mercado de crédito.
  • Habilitar e fiscalizar instituições financeiras.
  • Emitir papel-moeda e moeda metálica.

Conheça serviços oferecidos pelo Banco Central

O Banco Central atua, ainda, como uma importante fonte de informação. Por meio dos levantamentos feitos pelo órgão, é possível conferir dados de mercado, como a cotação do dólar e a taxa de juros praticada pelos bancos e instituições financeiras, bem como as tarifas bancárias. Veja quais são os dados fornecidos:

Taxas de câmbio

A área “taxas de câmbio”, no site do BC, oferece os seguintes serviços:

  • Conversão de moeda: nessa área, o usuário pode converter valores entre moedas do mundo todo, considerando a cotação de uma data específica.
  • Cotações e boletins: fornece cotações e boletins informativos de diferentes moedas de acordo com o período que se quer pesquisar.
  • Dólar Americano: apresenta a cotação de fechamento do dólar americano, para compra e para venda na data da consulta.
  • Paridades em relação ao euro: expõe a paridade do euro em relação às moedas europeias.
  • Tabela de moedas: reúne informações sobre moedas de diferentes países.
  • Todas as moedas: permite consultar a cotação diária de todas as moedas.

Taxas de juros

Na área “taxas de juros”, é possível fazer uma série de pesquisas sobre as práticas do mercado de crédito. Para pessoas físicas, estão disponíveis dados sobre taxas prefixadas relativas a operações envolvendo:

  • Aquisição de bens e veículos
  • Cartão de crédito
  • Cheque especial
  • Crédito pessoal
  • Crédito pessoal consignado
  • Desconto de cheques
  • Financiamento imobiliário
  • Leasing de veículos

Em relação as taxas pós-fixadas, também são disponibilizadas as taxas praticadas para pessoas físicas no financiamento imobiliário pós-fixado.

Para pessoas jurídicas, os dados abrangem, tanto para taxas pré e pós-fixadas, sobretudo: antecipação de recebíveis, capital de giro, cheque especial, desconto de cheques e de duplicatas.

As definições de taxa de juros do BCB afetam diretamente o desempenho de diversos investimentos. Se você deseja aproveitar o mercado de renda fixa, é preciso ter atenção nesse ponto. 

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Tarifas bancárias

Quanto às tarifas bancárias, o Bacen orienta quais são os serviços que obrigatoriamente devem ser oferecidos pelos bancos, considerando os seguintes critérios:

  • Serviços gratuitos e pacotes padronizados de serviços.
  • Valores mínimos, máximos e médios por tarifa bancária.
  • Instituições e respectivas tarifas bancárias.
  • Relação das tarifas em ordem decrescente de valores.
  • Dados sobre tarifas bancárias.

Calculadora do Cidadão

Outro serviço prático para o dia a dia de qualquer pessoa é a Calculadora do Cidadão. Para os usuários, a ferramenta, que é muito conhecida como a calculadora da Poupança ou simulador de Poupança, realiza uma série de outros cálculos, como:

  • Resultado de aplicação com depósitos regulares: quando você aplica mensalmente uma quantia de dinheiro, sendo que irá render uma determinada taxa de juros.
  • Valor futuro de capital: quando você quer saber o valor futuro de uma única aplicação, considerando uma certa taxa de juros.
  • Correção de valores: quando você quer saber a correção de um valor por determinada taxa, como Poupança, TR, SELIC, CDI ou algum índice de preço (IGPM, IPCA e etc).
  • Simulação de financiamento com prestações fixas: quando você quer saber quantos meses serão necessários para quitar o financiamento, ou qual o melhor valor de prestação a pagar, para determinada de taxa de juros e valor financiado.
  • Cartão de crédito: quando você quer saber qual o melhor jeito de quitar sua dívida de cartão de crédito, através do parcelamento da fatura ou adquirindo outro tipo de crédito para paga-la na totalidade.

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Saiba como ingressar no Banco Central (BC)

Ingressar no Banco Central é o sonho de muitas pessoas que querem entrar no serviço público. Para chegar lá, é preciso muito preparo para vencer a forte concorrência. Os concursos realizados pelo órgão não são frequentes. Entre 2002 e 2013 foram 7 seleções.

A remuneração, claro, é um dos atrativos. As funções no BC se dividem entre 3 carreiras. Confira as remunerações (vigente a partir de janeiro de 2017):

Técnico do Banco Central do Brasil

  • Escolaridade: nível médio.
  • Remuneração inicial: R$6.424,57.

Analista do Banco Central do Brasil

  • Escolaridade: nível superior.
  • Remuneração inicial: R$16.933,64.

Procurador do Banco Central do Brasil

  • Escolaridade: nível superior.
  • Remuneração inicial: R$19.197,67.

O cargo de analista requer ensino superior em qualquer área, o de técnico formação em nível médio e o procurador é exclusivo para quem se formou em Direito. Fácil? De maneira alguma. O conteúdo cobrado na prova é muito rigoroso.

Para analista, por exemplo, o conhecimento básico exigido foi: Língua Portuguesa; Língua Inglesa; Raciocínio Lógico; Direito Constitucional; Direito Administrativo; Economia; Sistema Financeiro Nacional e Sistema de Pagamentos Brasileiro.

Veja a lista de presidentes do Banco Central do Brasil

Ao todo, o Banco Central do Brasil teve 26 presidentes, sendo 8 durante a Ditadura Militar e 18 durante a Nova República. Confira o nome dos presidentes e o seu tempo de atuação, na tabela abaixo:

Ditadura Militar (5a República)
Nome Início Fim Presidente
1 Dênio Chagas Nogueira 12 de abril de 1965  21 de março de 1967  Castelo Branco
 2 Rui Aguiar da Silva Leme 31 de março de 1967  12 de fevereiro de 1968  Costa e Silva  
- Ari Burguer (interino*) 8 de fevereiro de 1968  20 de fevereiro de 1968 Costa e Silva
3 Ernane Galvêas 21 de fevereiro de 1968  31 de agosto de 1969 Costa e Silva
3 Ernane Galvêas 31 de agosto de 1969 30 de outubro de 1969 Junta Governativa Provisória de 1969
4 Paulo Hortêncio Pereira Lira 15 de março de 1974 14 de março de 1979 Ernesto Geisel
5 Carlos Brandão 15 de março de 1979 17 de agosto de 1979 João Figueiredo
6 Ernane Galvêas 17 de agosto de 1979 18 de janeiro de 1980 João Fiqueiredo
7 Carlos Geraldo Langoni 18 de janeiro de 1980 5 de setembro de 1983 João Fiqueiredo
8 Affonso Celso Pastore 5 de setembro de 1983 14 de março de 1985 João Fiqueiredo

 

Nova República (6a República)
Nome Início Fim Presidente
9 Antônio Carlos Lemgruber 15 de março de 1985 28 de agosto de 1985 José Sarney
10 Fernão Carlos Botelho Bracher 28 de agosto de 1985 11 de fevereiro de 1987 José Sarney
11 Francisco Gros 1 de fevereiro de 1987 30 de abril de 1987 José Sarney
- Lício de Faria (interino) 30 de abril de 1987 4 de maio de 1987 José Sarney
12 Fernando Milliet 5 de maio de 1987 9 de março de 1988 José Sarney
13 Elmo de Araújo Camões 9 de março de 1988 22 de junho de 1989 José Sarney
14 Vadico Valdir Bucchi 23 de junho de 1989 14 de março de 1990 José Sarney
15 Ibrahim Eris 15 de março de 1990 17 de maio de 1991 Fernando Collor
16 Francisco Gros 17 de maio de 1991 16 de novembro de 1992 Fernando Collor
17 Gustavo Loyola 13 de novembro de 1992 29 de março de 1993 Itamar Franco
18 Paulo Ximenes 26 de março de 1993 9 de setembro de 1993 Itamar Franco
19 Pedro Malan 9 de setembro de 1993 31 de dezembro de 1994 Itamar Franco
- Gustavo Franco (interino) 31 de dezembro de 1994 11 de janeiro de 1995 Itamar Franco
20 Pérsio Arida 11 de janeiro de 1995 13 de junho de 1995 Fernando Henrique Cardoso
21 Gustavo Loyola 13 de junho de 1995 20 de agosto de 1997 Fernando Henrique Cardoso
22 Gustavo Franco 20 de agosto de 1997 4 de março de 1999 Fernando Henrique Cardoso
23 Armínio Fraga 4 de março de 1999 1 de janeiro de 2003 Fernando Henrique Cardoso
24 Henrique Meirelles 1 de janeiro de 2003 31 de dezembro de 2010 Luiz Inácio Lula da Silva
25 Alexandre Tombini 1 de janeiro de 2011 9 de junho de 2016 Dilma Rousseff
26 Ilan Goldfajn 9 de junho de 2016 - Michel Temer

A história do Banco Central do Brasil

Instituições como o Banco Central do Brasil, que têm o papel de regular políticas monetárias, cambiais e de crédito são necessárias em qualquer economia. Afinal de contas, são elas que viabilizam o fluxo de dinheiro no país, regulando movimentos que impactam diretamente no consumo e na produção. No Brasil, essa necessidade acompanhou o desenvolvimento da economia.

Conforme o sistema econômico do país evoluía, a importância da criação de um órgão com poder regulatório aumentava.

Foi isso que levou à criação da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), em 1945. Assim, iniciava-se a preparação para o surgimento do Banco Central do Brasil, o que só ocorreria quase 20 anos depois, em 1964.

O Sumoc foi um passo intermediário na evolução regulatória do mercado financeiro. Nas suas duas décadas de atuação, orientou a política de câmbio no país, controlou o sistema monetário, atuou no combate à inflação e fortaleceu as bases que resultariam na criação do BCB.

O Banco Central, como conhecemos hoje, é resultado da Constituição Federal de 1988, que estabeleceu mecanismos de funcionamento do órgão, determinando, inclusive, como deve ser conduzido o processo de indicação do presidente e diretores da instituição.

Entenda sobre o assalto ao Banco Central em Fortaleza

Prepare a pipoca, porque o Bacen também tem suas histórias cinematográficas. O furto ao caixa forte da instituição, localizado em Fortaleza, é conhecido como o maior roubo a banco no Brasil. Com um plano audacioso, a quadrilha conseguiu levar quase R$165 milhões em dinheiro vivo (equivalente a 3,5 toneladas em cédulas). O roubo aconteceu em um fim de semana, entre os dias 6 e 7 de agosto de 2005.

Depois de planejar a ação por cerca de 3 meses, os ladrões conseguiram invadir o cofre. O roubo só foi constatado na segunda-feira, dando tempo para que os envolvidos conseguissem levar o dinheiro e distribuí-lo. Até hoje, menos de um terço do valor foi recuperado. As investigações constataram que 36 pessoas estiveram envolvidas no roubo, das quais 26 foram presas.

O maior roubo a banco do Brasil deu origem ao filme "Assalto ao Banco Central" de 2011, dirigido por Marcos Paulo.

Tecnicamente, o fato não pode ser considerado um assalto já que não houve abordagem a vítimas. Mas não há dúvida de que a história é interessante e até hoje gera curiosidade.

Independentemente de virar filme ou não, a atuação do Banco Central do Brasil tem efeito significativo no nosso dia a dia. Pode servir, inclusive, como fonte de informações para você na hora de tomar decisões importantes de investimento.

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