In Twitter we trust!

 
Em uma semana marcada pelas decisões de taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, o Ibovespa teve mais um bom desempenho e rompeu sucessivamente as máximas históricas. Mais do que as atuações dos bancos centrais, que já eram amplamente esperadas, pesou positivamente o primeiro acordo comercial entre Estados Unidos e China após quase 2 anos de disputas. Tudo anunciado, claro, pelo Twitter de Donald Trump.

É bom que fique claro que a guerra comercial está longe de acabar e, como todos que acompanham esta novela sabem, retrocessos não são nada improváveis. Mesmo assim, o acordo diminui a percepção de risco global, o que favorece investimentos em países emergentes como o Brasil. O dólar, por exemplo, já sentiu esse efeito e voltou a negociar abaixo de R$4,10.

Para colaborar, medidas do governo no setor de educação superior e no financiamento imobiliário impulsionaram os dois setores, que se destacaram na semana. Agora, ficamos de olho para os dados da economia argentina a serem divulgados na próxima semana e para o avanço do Brexit após vitória esmagadora dos Conservadores nas eleições locais.

Mas como nem tudo é perfeito, a Via Varejo divulgou possíveis fraudes em seus balanços, o que fez o papel cair mais de 10% nos minutos seguintes ao anúncio. A situação parece estabilizada, mas a alta volatilidade não deve abandonar a ação tão cedo.
 
 

Os destaques da semana:

  • Economia: 4,50%.
  • Corporativo: Construção e Educação subindo, venda de fatia da Petrobras.
  • Em destaque: Sexta-feira 13 para Via Varejo?
  • No exterior: Guerra comercial, decisão do BC e eleições no Reino Unido. 
  • Fique de olho: PIB argentino e ata do Copom.

Segura a Selic!


Em um movimento que surpreendeu um total de nenhuma pessoa, o Banco Central cortou mais uma vez a taxa de juros em 0,50 p.p. Esse foi o quarto corte seguido e leva os juros a mais uma mínima histórica em 4,50% a.a.

O principal motivo do recuo, nós já temos falado ao longo dos últimos meses: a fraqueza da recuperação econômica. Contudo, antes da reunião desta quarta-feira (11), os números positivos do PIB e da inflação já davam sinais de melhora. Os números preliminares da Black Friday também alimentam otimismo.

É por conta dessa melhora que não acreditamos em nova queda dos juros na próxima reunião em fevereiro. O impacto dos movimentos do Banco Central sobre a economia demoram algum tempo, de forma que o prudente seria aguardar para ver se as medidas surtirão o efeito planejado.

Contudo, é bom ter em mente que alguns fatores podem possibilitar novos cortes. O primeiro é uma melhora do cenário externo, com aproximação entre Estados Unidos e China e melhora da economia mundial como um todo. O segundo é a queda do risco-Brasil e a possibilidade de que o país retome em breve o grau de investimento dado pelas agências de classificação de risco.

Ambos tornam o Brasil mais atrativo para investimentos externos, pressionam o dólar para baixo e, com isso, permitem que o país trabalhe com juros menores sem induzir uma fuga de capitais. Por enquanto, ambos ainda estão no campo da especulação mas, caso se concretizem, não nos surpreenderia se o Banco Central desse mais um passo em direção a juros cada vez mais baixos.

 

Bons alicerces.


Nesta semana a Caixa Econômica Federal anunciou a redução das taxas de juros do crédito imobiliário e Jair Bolsonaro sancionou com vetos, que beneficiam o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), a lei que implementa o saque aniversário no FGTS.

A redução das taxas de juros impactam consideravelmente a demanda por financiamento imobiliário e o veto do presidente, referente à distribuição de 100% do lucro do FGTS, garante que o programa MCMV continue recebendo recursos adequadamente.

O cenário positivo do Brasil e essas medidas tiveram impacto direto no desempenho das empresas de construção, como MRV (MRVE3), Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3), na Bolsa ao longo da semana.

Sem distância para a Educação.


O MEC (Ministério da Educação) divulgou uma portaria passando o limite de carga horária máxima para EAD (Ensino à distância) em cursos presenciais de 20% para 40%
. Com a medida, as empresas educacionais conseguem uma redução significante nos custos, visto que os cursos à distância são menos custosos e mais escaláveis.

Como efeito pudemos ver as empresas de educação, como Yduqs (YDUQ3), Cogna (COGN3), Ser Educacional (SEER3) e Anima (ANIM3), com desempenho bem forte na semana.

Banco Nacional de Desinvestimentos.


O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou a intenção de vender sua participação na Petrobras (PETR4).
O Banco planeja realizar uma oferta pública para vender até a totalidade de sua participação, que representa cerca de 10% das ações ordinárias emitidas pelo Petrobras.

Como o Banco possui uma participação relevante e já deu início ao processo de seleção de assessores para a transação, a cotação da petroleira se viu pressionada no pregão de sexta-feira (13).

Sexta-feira 13 para Via Varejo?


No final da tarde de quinta-feira (12), a Via Varejo (VVAR3) divulgou que existem indícios de uma potencial fraude contábil em seus balanços. As investigações começaram neste quarto trimestre após uma denúncia anônima, mas somente agora, no que é chamado de segunda fase, as suspeitas ganharam mais peso. 
 
A notícia pegou de surpresa o mercado: a ação, que estava subindo mais de 8% na própria quinta, acabou encerrando o dia cedendo quase 3%. Contudo, a recuperação veio na própria sexta-feira (13). Nem toda sexta 13 é por completo má sorte. 
 
A potencial irregularidade diz respeito a uma manipulação contábil, uma distorção nas provisões trabalhistas, na qual a Via Varejo não estaria sendo precisa em seus ativos e passivos, melhorando assim seus números. 
 
Os potenciais custos poderiam chegar na casa de R$1,4 bilhão, mas, pelo menos a princípio, não terá a necessidade de desembolso de caixa. A Empresa deve realizar uma terceira fase de investigações, ficamos então monitorando qual via o papel pegará a partir daí. 

 

Enfim, soam as TRUMPetas!


Semana movimentada no cenário internacional. As bolsas internacionais estavam aguardando a decisão da taxa de juros americana em meio a notícias sobre o desenrolar da guerra comercial. 

No início da semana os temores aumentaram com a data limite, de domingo (15), estipulada pelos EUA para o aumento das tarifas dos produtos chineses, colocando mais pressão na negociação. Ainda pairava no ar dúvidas sobre detalhes das tarifas, fato que poderia mudar o rumo das negociações. Com divulgação de dados fracos de exportações da China, via-se uma urgência na resolução do acordo. 

No meio da semana o presidente Donald Trump escreveu em sua conta no Twitter que o acordo estaria muito perto e continuou: “se eles querem, nós também.” Essa notícia trouxe ânimo para os mercado fazendo o S&P 500 caminhar para as máximas. 

Na sexta feira (13), depois de um susto em que Trump disse que as notícias a respeito da negociação de tarifas entre os dois países seriam fake news, tivemos enfim (agora vai!) o acordo da primeira fase da negociação com a isenção da tarifa sobre os produtos chineses. O presidente norte-americano ainda escreveu que não quer esperar as eleições de 2020 passarem para começar a fase 2, querendo velocidade no acordo.

 

Decisões dos BCs.


Na quarta-feira (11) o Fed decidiu pela manutenção da taxa de juros norte-americana em 1,75%. O comunicado vem com um tom de estabilidade para 2020 e com fala de Jerome Powel, presidente do Fed, considerando o nível de juros apropriado para dar suporte ao crescimento e ao emprego. Sem muita pressão na inflação, ele ainda reitera que a política monetária deve se manter inalterada levando em consideração o cenário atual. 

Tivemos a decisão da taxa de juros pelo BCE (Banco Central Europeu) comandada pela Christine Lagarde. Na Europa a decisão veio dentro da expectativa e não houve alteração nas taxas de juros. Lagarde afirmou que o BC ainda irá comprar títulos e manter as taxas baixas até ver alteração da meta de inflação. 

Vitória de Boris.


No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson conseguiu uma vitória histórica com maioria absoluta nas eleições no país. Com isso, a então esperada resolução do Brexit pode estar mais próxima, permitindo a Boris o número de parlamentares necessários para a finalização do processo que ocorrerá no final de janeiro. Pelo Twitter, agradeceu à população que votou e disse que “Vivemos na melhor democracia do mundo”. 

O Partido Conservador, do qual Boris é o líder,  ficou com 364 cadeiras na Câmara dos Comuns, que tem um total de 650 assentos. O principal rival, o Partido Trabalhador, ficou com 203 assentos. Mais 7 partidos participaram das eleições. Com isso, o Reino Unido tem espaço para dar o próximo passo que seria negociar um acordo comercial com a União Europeia. 

Parece que na sexta-feira 13 as bruxas tiraram folga. 

 

PIB argentino e ata do Copom.


O Brasil e a Argentina possuem relações comerciais de longa data.
Os argentinos correspondem ao terceiro maior parceiro comercial do Brasil, ao passo que os brasileiros são o parceiro mais importante da Argentina. Entre os produtos mais negociados, podemos destacar os automóveis e gêneros alimentícios como o trigo e a carne. 
 
Devido a esta ligação econômica entre os dois países, ficaremos atentos à divulgação do PIB do 3T19 dos nossos hermanos, marcada para a próxima terça-feira (17). Contudo, é sabido que a Argentina vem passando por uma crise severa, marcada por juros altos, inflação descontrolada, rebaixamento do rating da dívida soberana pelas agências de rating e contração do PIB. 
 
Portanto, caso os dados superem as expectativas, podemos ter um indício de que a economia argentina está começando a se recuperar. Em função das parcerias comerciais entre Brasil e Argentina, isso pode ser benéfico para a economia do nosso país. Além disso, pensando no Mercosul, destaca-se a importância da presença de economias mais fortes e crescentes no bloco.
 
Na terça-feira (17) também teremos a divulgação da ata do Copom. Em resumo, a ata apresentará os motivos que levaram ao recente corte da taxa Selic e mostrará a política econômica que o Comitê deve adotar daqui pra frente. O corte da semana que passou pode ter sido o último da sequência que fez os juros passarem de 6,5% a.a. para 4,5% a.a. Porém, a inflação, o crescimento econômico e o câmbio podem fazer com que o Copom decida por mais um corte de 0,25 p.p. na próxima reunião já em fevereiro.