Ninguém precisar ser economista para saber de economia e começar a investir no mercado financeiro. Apesar dos numerosos jargões da área, alguns conceitos são simples e fáceis de entender, além de estarem presentes nas nossas vidas todos os dias.

Muitos investidores ignoram fundamentos básicos como inflação, juros e câmbio antes de começar a investir.

Neste artigo, você aprenderá o que é o tripé macroeconômico, seus componentes, como afeta a sua vida e de que maneira você pode tomar decisões de investimentos mais assertivas com o conhecimento mais claro de como funciona a economia. Vamos lá?

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O que é a macroeconomia?

Inicialmente, antes de falar do tripé macroeconômico e seus componentes, precisamos entender o que é a macroeconomia.

Assim como a microeconomia (que estuda o comportamento dos agentes individuais, como as  famílias e as empresas), a macro é um dos ramos de estudo mais importantes dessa área do conhecimento. 

De acordo com 3 dos autores mais lidos e estudados nas faculdades de economia pelo mundo, Rudiger Dornbusch, Stanley Fischer e Richard Startz:

"A  macroeconomia está preocupada com o comportamento da economia como um todo - com expansões, recessões, produto total de bens e serviços, crescimento da produção, taxas de inflação e de desemprego, balanço de pagamentos e taxas de câmbio. A macroeconomia lida tanto com o crescimento no longo prazo quanto com as flutuações no curto prazo que constituem o ciclo econômico".

📚 Rudiger Dornbusch, Stanley Fischer e Richard Startz


Então, ainda segundo os autores, esse campo de estudo vai avaliar como as políticas econômicas afetam o consumo, os investimentos, o dólar e a balança comercial (importações e exportações), além de outros fatores  das políticas monetárias como as taxas de juros, o orçamento federal, a dívida interna e o estoque de moeda.

O que é o tripé macroeconômico do Brasil?

Nesse sentido, visando estabelecer o melhor funcionamento da economia brasileira que, no passado, tanto sofreu com problemas de inflação exorbitante, gastos públicos descontrolados e enfraquecimento das reservas internacionais, foi criada a metodologia do tripé.

O  tripé macroeconômico é um conjunto de medidas adotadas pelo Brasil desde 1999 que direcionam a política econômica nacional de acordo 3 princípios: câmbio flutuante, metas de inflação e metas fiscais.

Entraremos em detalhes sobre cada um desses componentes a seguir para que os conceitos fiquem mais claro, mas em resumo, o tripé sempre seguiu com esse formato: 

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Para o que serve o tripé macroeconômico?

Como dissemos, o tripé macroeconômico existe de modo a dar mais estabilidade na gestão e crescimento econômico do país, sobretudo no controle da inflação, no valor do real e no endividamento do governo.

Com isso, o cumprimento de metas confere ao Brasil maior confiança dos investidores locais e internacionais na gestão do país, atraindo novos investimentos.

Além disso, é um método de avaliação da eficiência fiscal do governo, importante medida dos credores internacionais sobre o risco de um calote a quem empresta dinheiro à União.

Por fim, o cumprimento do tripé também permite verificar a eficiência em manter o poder de compra da moeda local e manter a confiança internacional do país com o câmbio flutuante.

Lembre-se de que não há um fator mais importante do que o outro na metodologia do tripé. Todos eles tem a sua função e estão correlacionados na gestão econômica saudável. A seguir vamos entender cada um desses itens. 

1. Câmbio flutuante

O câmbio flutuante significa que o valor do real frente ao dólar é definido pela lei da oferta e da procura, como ocorre na maioria dos países.

Isso parece óbvio hoje, mas antes o governo adotava o modelo de câmbio fixo, isto é, estabelecia  artificialmente por bandas cambiais (teto e piso) quando o dólar valia para cada real.

O problema disso era forçar o Banco Central a se manter sempre atuante vendendo dólares para segurar o real estável, uma vez que os agentes (pessoas, empresas, etc) seguiam procurando e comprando a moeda americana, desvalorizando o real.  Então, ficava muito caro para o BC manter esse tipo de operação constante e esvaziava as reservas internacionais.

Com o câmbio flutuante, vez ou outra o BC ainda faz algumas intervenções por meio de swaps, mas apenas com o intuito de conter oscilações abruptas na moeda e não para determinar um preço fixo. 

Em conclusão, a taxa de câmbio também passa a ser um reflexo da percepção de risco sobre o Brasil.

Por falar em dólar, confira no gráfico a seguir um comparativo entre a valorização da taxa de câmbio e a evolução do Ibovespa desde o início do século:

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2. Metas de inflação

O segundo componente do tripé macroeconômico é o redime de metas de inflação instrumentos que servem como referência de como o governo deve atuar para o valor que o IPCA deve fechar o ano a fim de gerar menor incerteza na economia, manter o poder da moeda sem empobrecer as famílias e fazer o país crescer mais.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) define a meta, o piso e o teto da inflação para 3 anos à frente e cabe ao Banco Central adotar as medidas necessárias para alcançá-la.

Se o governo estourar a meta, o BC deve explicar publicamente por que isso aconteceu e as providências planejadas para retornar à meta. 

A implementação desse sistema foi possível após o início do Plano Real, que estabilizou a moeda brasileira após anos de hiperinflação.

Sem as metas, para manter as rédeas no aumento de preços, o governo usava basicamente o câmbio fixo. Agora, o principal instrumento de controle inflacionário é a taxa Selic.

Essa também é uma medida de eficiência de quão bem o BC e o governo estão guiando a economia, uma vez que a inflação mais alta causa o empobrecimento das famílias, encarece o custo produtivo e o peso da dívida nacional.

Antes de passar ao próximo tópico, veja, no gráfico a seguir, o histórico de inflação no Brasil e as metas para cada ano: 

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3. Metas fiscais

Por fim, completando o tripé, temos as metas fiscais do governo que são fundamentais para a que os dois componentes anteriores funcionem bem e ajudem a ancorar as expectativas dos agentes econômicos. 

As metas fiscais são os objetivos traçados para o governo cumprir patamares de gastos e receitas, aumentando a confiança dos seus credores (quem empresta dinheiro à União).

Todos os anos, as metas fiscais são determinadas e aprovadas pelo Congresso Nacional na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), colocando um limite de quanto o governo poderá gastar por ano em itens como investimentos, salários de servidores, serviços públicos, enfim, tudo que a União gasta para funcionar e fazer o país crescer.

A princípio, o melhor dos mundos é que o resultado seja sempre um superávit primário (quando as receitas superam os gastos) no ano corrente. Se o governo gasta mais do que gera receitas, então chamamos de déficit fiscal primário. Por primário, entenda que, no cálculo, desconsideramos o pagamento de juros da dívida pública. 

Segundo o Tesouro Nacional, o Resultado Primário é calculado usando a fórmula:

Resultado Primário = Receita Líquida (RL) + Resultado do Fundo Soberano do Brasil (FSB) − Despesa Total (DT).

Portanto, as metas fiscais são essenciais para manter a dívida pública em um nível economicamente saudável, ser um parâmetro para a nota de crédito do Brasil e para a credibilidade do governo.

Para finalizar esse tópico, observe no gráfico abaixo a evolução do resultado primário ao longo dos anos e os pontos de superávits e déficits primários:

meta-fiscal

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Como o tripé macroeconômico te ajuda a investir melhor?

Com o conhecimento do tripé macroeconômico, será possível tomar decisões de investimentos melhores, procurando rentabilidades mais altas de acordo com o momento da economia e as perspectivas para o futuro. 

Analistas e investidores usam os dados do tripé para interpretar como a economia está sendo atualmente administrada e o que o governo precisará fazer para corrigir eventuais problemas nas políticas monetária e fiscal. 

Essencialmente, ao conhecer o tripé, você pode chegar às seguintes conclusões para guiar seus investimentos:

  • Confiança dos investidores: avaliar como está a confiança dos investidores e se há mais probabilidade de entrada de recursos externos no Brasil, valorizando o real e aquecendo a economia e a Bolsa de Valores.
  • Superar a inflação: estimar se o governo vai ou não cumprir as metas de inflação e qual a rentabilidade seus investimentos devem alcançar para ter retorno real no ano, isto é, descontando a inflação.
  • Rumos da política monetária e taxa Selic: se a inflação está alta ou baixa, o governo poderá alterar a taxa Selic para cima ou para baixo, alterando a atratividade dos produtos de Renda Fixa, principalmente. 
  • Previsibilidade do câmbio: observar a volatilidade do dólar e seus impactos como, por exemplo, nas empresas vendedoras de commodities que podem ter receitas mais altas com o câmbio elevado.
  • Selo de garantia e rating para ambiente de negócios: verificar se os selos de garantia e as notas de rating do país são boas para atrair investidores externos.
  • Emissão de títulos públicos: se o governo gera déficit fiscal, ele poderá emitir títulos públicos para financiar seus gastos a taxas mais atrativas.

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