No dia 9 de agosto, a Toro Investimentos realizou o ToroTech: seu novo evento com foco em inovação que abordou temas relacionados ao futuro, finanças e tecnologias, entre outros. Nesta primeira edição, o tema do evento foi “O futuro da segurança” e contou com a presença de grandes nomes da área financeira e os principais expoentes do ambiente de fintechs.

 

 

O papel da regulação na inovação.

A noite começou com Gabriel Kallas, sócio-fundador da Toro Investimentos agradecendo a presença de todos os participantes e do público presente. “Nesta noite, Belo Horizonte é a capital das fintechs do Brasil.”, comentou Kallas. Em seguida, Gabriel chamou ao palco Otávio Damaso, Diretor de Regulação do Banco Central. Falando para um público de quase 300 pessoas, Otávio Damaso passou as 3 principais mensagens que o Banco Central sobre o assunto:

  1. O Banco Central apoia todo o processo de inovação. Seja de quem está entrando ou de quem já está no mercado e quer inovar.
  2. O principal papel do Banco Central é acompanhar, monitorar e dialogar com quem está inovando, antes mesmo de regular, mas sempre assegurando a viabilidade financeira.
  3. O Banco Central está 100% aberto para fazer todos os ajustes necessários em prol da inovação.

“Um dos nossos desafios mais básicos é tornar o físico, digital” pontuou Otávio Damaso. O Diretor do Banco Central também falou sobre o crime cibernético e o perigo que ele representa hoje. “Um dos principais desafios dos crimes cibernéticos é que eles são afronteiriços.” explicou Damaso.

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Damaso também falou do papel do mobile na inovação do sistema financeiro no Brasil. “O mobile, mais do que a internet, mudou tudo.” afirmou.

Concluindo a palestra, o Diretor de Regulação do Banco Central explicou como o Brasil é um caso de benchmarking em supervisão financeira. Citando o caso da Operação Lava-Jato onde o Banco Central conseguiu identificar fragilidades no sistema financeiro relativos a uma das empresas envolvidas na investigação. O Banco Central trabalhou junto com empresas do sistema financeiro para atacar essas vulnerabilidades. O resultado é que, de 2014 a 2016, durante uma das grandes crises brasileiras, nenhum banco quebrou. “A gente faz de tudo para não aparecer. Porque se aparecer tem alguma coisa errada.” concluiu Otávio Damaso.

Segurança integrada ao design.

Em seguida, o palco do ToroTech recebeu Eduardo Farias, Diretor de Governança e Gestão Integradas da B3. Farias começou a sua palestra falando que um dos 5 maiores riscos hoje para o sistema financeiro é o cibernético. Os grandes desafios de combater o crime cibernético seriam a dificuldade de mensurar, dele ser passível de erro humano e o grande dilema de como manter a segurança sem criar novas barreiras para os negócios.

Para o diretor da B3, uma das soluções seria adotar o Security by Design. Um tipo de desenvolvimento que determina pensar a segurança nativa ao design do produto. Ou seja, quando a ideia de um novo produto surgir, o melhor seria que o seu criador já pensasse nos passos de segurança necessários para ser incrementados.

Outro grande desafio levantado por Eduardo seria a falta de profissionais especializados. “Existe escassez de profissionais de segurança no mercado”, afirma. Um dos motivos que aponta para isso, seriam as próprias características do profissional que, em busca de desafios, acaba mudando para outras empresas.

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Eduardo Farias concluiu falando um pouco sobre as Iniciativas Foresee, o projeto de inovação da B3. “A grande missão é contribuir com o desenvolvimento do mercado e do Brasil.” concluiu Eduardo.

Inovar para quem?

A próxima palestra da noite foi a do José Luiz Rodrigues, sócio da JL Rodrigues e conselheiro da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs). José Luiz falou sobre a utilização da regulação como segurança para o mercado financeiro e de capitais. “A regulação é a base, mas cada negócio deve ser estudado dentro do seu mercado.” alertou.

José Luiz cita a crise de 2008 como grande prova do poder da regulação. Enquanto o resto do mundo sofria com decorrência da crise, o Brasil que é considerado um modelo internacional de regulação, não sofreu praticamente nada. JL Rodrigues também alertou para a necessidade de inovar sem esquecer das tradições. Segundo o conselheiro da ABFintechs é preciso considerar o seu público “Para quem queremos inovar?”

O usuário é a palavra-chave.

A última palestra da noite foi a de Leonardo Moreira, CTO da PROOF, que falou sobre o futuro da segurança da informação. Leonardo começou a sua palestra falando sobre o mercado de cibercrime e a grande disparidade quando comparado com o mercado de segurança da informação. Enquanto a segurança da informação está prevista para ter um lucro anual de R$ 202 bilhões anuais em 2021, o mercado de cibercrime deve causar um prejuízo de R$6 trilhões no mesmo ano.

“O ser humano é o último elo da cadeia de informação.” garante Leonardo. Em seguida, o CTO da PROOF passou por exemplo básicos de ameaças que focam no usuário através de engenharia social como o phishing, o smishing (phishing por SMS) e o whatsapphing (phishing por WhatsApp). Leonardo Moreira explicou o grande risco dessas táticas com um dado crucial, “60% da população economicamente ativa não é nativa digital”.

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Além do treinamento de pessoal para identificar e negar as táticas de engenharia social, Leonardo também passou por algumas dicas básicas: fazer a gestão de senhas fortes, fazer backups rotineiros, ficar atento à permissões abusivas de aplicativos, habilitar a autenticação de 2 fatores em serviços críticos e atualizar seus programas contra vulnerabilidades. Leonardo Moreira terminou sua palestra com a afirmação de que não existe tecnologia que nos proteja 100% dos riscos de segurança e, por isso, o usuário bem informado é a melhor defesa.

Fechado com a inovação.

Encerrando a noite, o ToroTech montou uma roda de discussão com a presença de Gabriel Kallas, sócio-fundador da Toro Investimentos, André Barbosa, sócio da Araújo Fontes, Daniel Calonge, Co-founder & CEO na Monetus e Paulo Gomide, CEO da SmarttBot.

O primeiro tópico da conversa foi o papel da computação quântica na quebra de criptografias avaliando um cenário onde as ferramentas do cibercrime evoluem em paralelo com as de segurança.

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Entre outros assuntos, também foram temas da conversa os grandes desafios da automação e até onde devemos entregar nossas informações financeiras para as inteligências artificiais e como as grandes empresas estão se preparando para esse mundo focado em inovação.

O primeiro ToroTech se despediu com a missão cumprida de analisar o futuro da segurança e com uma platéia feliz de poder participar desse grande evento que vai fazer parte do calendário da cidade.

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