Bom… pelo menos foi “melhor” que semana passada…

As preocupações com o coronavírus continuam castigando o Ibovespa. Nesta semana, foi quase 6% de queda. O vírus continua se espalhando, a produção segue travada em vários lugares e o pânico reina. Aqui, no Brasil, os dados do PIB decepcionaram e empurraram a Bolsa ainda mais ladeira abaixo.

Como apontamos no Torocast deste semana, o momento é de calma. Por pior que pareça a situação, o mundo corre contra o tempo para aplacar a epidemia, sucesso que esperamos ver ocorrendo em algum momento nos próximos meses.

Claro, no curto prazo, o impacto já está feito. Banco Centrais pelo mundo devem cortar juros novamente para sustentar o crescimento, seguindo a decisão extraordinária do BC americano. Mas as quedas são tão severas que já aparecem oportunidades de compra em ações que descontaram além do justificável. Ah, e tem também IRB, que segue em meio a um turbilhão que já derrubou o CEO e mais de 60% do valor da Empresa.

Os destaques da semana:

  • Política e Economia: Mais uma decepção.
  • Corporativo: Um sorriso e uma neosa.
  • Em destaque: IRB cai mais de 50%.
  • Torocast: Não há motivo para pânico.
  • No exterior: Juro, Eleição e emprego. 

É, não foi dessa vez.

Não que a expectativa fosse muito alta, afinal nós já vínhamos apontando os dados fracos da economia ao longo dos últimos meses. Mesmo assim, o anúncio de que o PIB de 2019 fechou com um crescimento de 1,1% foi um banho de água fria no mercado.

O resultado foi o pior dos últimos 3 anos e reforça a leitura de que a tão visada recuperação econômica não está batendo à porta. Não foi um resultado terrível, algumas coisas salvam: o investimento agregado cresceu 2,2% e a construção civil teve a primeira expansão anual em 5 anos, setor este que pode ser vital para a recuperação do emprego.

Por outro lado, as contas externas pioraram sensivelmente, mesmo com o câmbio mais alto. O gasto público segue estagnado por conta da frágil situação fiscal, enquanto o gasto privado não tem conseguido compensar satisfatoriamente. Por fim, a indústria continua sofrendo, apesar do crescimento de 0,5%. A agropecuária, que puxou o PIB em 2017 e 2018, teve atuação mais tímida em 2019.

Para além da sopa de números, a questão central é entender que os estímulos não parecem estar surtindo muito efeito, pelo menos por hora. Um novo corte na Selic já começa a ser ventilado, o que deve reforçar ainda mais a ampliação do crédito. Contudo, a confiança na economia segue baixa, o que, em um cenário de pânico global, não deve mudar tão rápido.

Ah, sim! Antes que eu esqueça! O dólar bateu R$4,60 e nada que o Banco Central tenha tentado conseguiu impedir o movimento altista. O céu é o limite.

CVC finalmente dá motivo para um smile.

A CVC (CVCB3) anunciou na quinta-feira (05) que Luiz Fogaça, então presidente-executivo da Companhia, apresentou seu pedido de renúncia. Fogaça estava na Companhia desde 2010 e participou de importantes etapas no processo de crescimento da Empresa, mas sai em um momento mais tenso, em que a ação saiu de cerca de R$60 para a faixa de R$20 em apenas 1 ano.

Da falência da Avianca, resultados fracos, manchas de petróleo nas praias nordestinas e coronavírus até o clímax da tensão, que veio com o reconhecimento de erros contábeis em resultados desde de 2015, até que os investidores ganharam um motivo para acreditar que tempos melhores virão.

O substituto de Fogaça será Leonel Andrade, nome de peso, um executivo com credibilidade e confiança do mercado. Andrade foi CEO da Smiles (SMLS3) e seu bom trabalho realizado traz a tona o sentimento de “agora vai” e de que ele tem plena capacidade de “arrumar a casa”. Na tarde de sexta-feira, a CVC subia mais de 20% no dia e reduzia uma queda semanal de mais de 25% para cerca de 6%.

Ih, pera, chama a neosa!

A Hypera (HYPE3) anunciou uma aquisição que a torna a maior empresa farmacêutica do Brasil. A Companhia adquiriu 18 marcas da Takeda na América Latina, incluindo marcas como a Nesina, para tratamento de diabetes, com alto crescimento e com proteção de patente por 10 anos, e marcas consagradas como Neosaldina, Dramin e Nebacetin.

Além disso, as duas empresas farão um acordo de fabricação e fornecimento, com incorporação de cerca de 300 funcionários da Takeda pela Hypera. A transação deixa a Hypera ainda mais gigante e promete gerar grandes sinergias. Não à toa a Companhia subiu mais de 15% esta semana, o que impressiona especialmente pelo Ibovespa ter quase mais de 6%.

Temporada de Balanços!

Mais uma semana em que tivemos a continuidade da temporada de resultados referentes ao último trimestre de 2019.

A B3 (B3SA3) apresentou crescimento de lucro líquido recorrente de 23% em 2019, com as receitas impulsionadas pelo crescimento do mercado de capitais no Brasil e pela crescente quantidade de ofertas públicas.

A Hering (HGTX3) lucrou aproximadamente 34% menos no 4T19 do que no mesmo período de 2018. O lucro líquido de R$63,2 milhões reflete um baixo volume de vendas da Companhia no período e pressão nas margens.

Divulgaram também seus resultados ao longo desta semana: Natura (NTCO3), Santos Brasil (STBP3), CCR (CCRO3), Odontoprev (ODPV3), Randon (RAPT4), CSN (CSNA3), e Valid (VLID3).

Não tenho, não tive e não penso em ter.

O primeiro episódio da Saga “Não tenho, não tive e não penso em ter” veio ao ar no começo de fevereiro, quando a vilã Squadra (pelo menos para os acionistas) ligou o sinal de alerta do mercado, ao colocar em dúvida a maneira como a IRB (IRBR3) apresenta seus resultados. Daí em diante foi queda livre.

Ainda no primeiro episódio, o protagonista IRB achou que seus dias de choro poderiam diminuir, isso depois da divulgação dos resultados do 4T19. Resultados positivos, mas que não foram suficientes para cessar o movimento de queda do papel. Mal sabia que a luta do nosso protagonista estava apenas começando…

Depois de altas e baixas, com alguns investidores comprando, achando que o ativo já tinha alcançado o fundo e que “não tinha como cair mais”, e outros vendendo, acreditando que “os dias de glória da IRB já tinham acabado”, chegamos ao segundo episódio da Saga, intitulado “Não vai ficar ninguém”.

Na sexta-feira à noite (28) uma tragédia veio à tona: O PRESIDENTE DO CONSELHO RENUNCIOU O CARGO, aumentando ainda mais a preocupação dos investidores que ainda acreditavam no papel e aliviando aqueles que já haviam zerado suas posições. Mas existia uma luz do fim do túnel. Uma luz gringa. Mais especificamente, ele, o megainvestidor Warren Buffet.

Desde o IPO do IRB, existia um burburinho de que a Berkshire Hathaway, empresa do senhor Buffet, tinha uma pequena posição em IRB ou pelo menos teria pretensão em tê-la. A notícia que veio ao mercado foi de que, aproveitando essa queda observada nos preços do IRB, o Berkshire Hathaway teria triplicado sua posição no ativo. Mas, para descontentamento do telespectador brasileiro, era fake news: a Berkshire Hathaway se posicionou acerca do boato dizendo que nunca teve e que nunca teria IRB em seu portfólio. Pra amparar o cenário, que já não era favorável, o CEO e o vice-presidente executivo, financeiro e de relações com investidores também saíram de cena e, assim, a protagonista da saga encerra a semana caindo mais de 50%.

Ainda há quem diga que “não tem como cair mais” e ainda há quem diga que “os dias de glória da IRB chegaram ao fim”. Nós acreditamos que essa saga ainda não chegou ao fim, restando acompanhar de perto os próximos capítulos dessa aventura.

Sangue frio.

O cenário das últimas semanas tem sido assustador, eu sei, mas o momento tem que ser de calma e atenção às oportunidades. Por isso, no Torocast #26 conversei com Victor Lima sobre os pontos de atenção para o investidor nesses tempos turbulentos.

Nome da vacina: corte de juros.

No meio da semana, no meio do pregão, uma notícia cai como uma bomba no mercado. O presidente do BC norte-americano corta, em uma reunião de emergência, a taxa de juros nos EUA em 0,50 p.p. com a justificativa de que os impactos causados pelo coronavírus (COVID-19) na economia já são presentes. O corte vem com o objetivo de estimular o crédito e tentar fazer com que o consumo não caia nos próximos meses, afetando o emprego e impulsionando uma possível recessão global.

O FED tinha reunião marcada para 17 de março e a surpresa causou no mercado um forte movimento de alta no S&P500 após o anúncio. Mas a alegria durou pouco: o movimento virou e o índice caiu forte, chegando a quase 3% de queda no dia. O temor era de que, se o banco central americano está tão preocupado com as implicações econômicas a ponto de fazer com urgência o corte dos juros, então o problema pode ser maior que o esperado.

A percepção por parte dos investidores ainda é confusa com relação aos reais efeitos da redução na taxa. De toda forma, vemos que as autoridades políticas e econômicas vão se desdobrar para evitar um estrago maior. Seguimos monitorando os desdobramentos.

Pela união dos seus poderes...

Nas eleições americanas temos a corrida Democrata ficando cada vez mais apertada entre Bernie Sanders e Joe Biden. Tivemos a Superterça com 14 estados americanos participando das eleições primárias e com Biden tomando a liderança em meio ao apoio de Pete Buttigieg, Amy Klobuchar e do bilionário e ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que desistiram da campanha no meio do caminho. A senadora Elizabeth Warren também desistiu da corrida, mas não declarou apoios por enquanto.

As primárias ainda continuam e os próximos 30 Estados irão mostrar a direção da briga. O mercado ainda não vê como algo possível o atual presidente Donald Trump perder a eleição para nenhum deles. Porém, uma crescente democrata ainda pode incomodar o sono do líder republicano.

Emprego bombando, mas ninguém liga.

Os EUA mostram força nos dados de emprego divulgados nesta sexta-feira (06). Em fevereiro, o número de empregos criados foi de 273 mil novos postos, ante expectativa de 175 mil, mostrando que até agora o dano do coronavírus está limitado. Nos próximos meses, podemos ver esse dado sendo mais afetado devido aos atrasos nas cadeias produtivas. A taxa de desemprego caiu de 3,6% para 3,5%. Os setores mais fortes na contratação ficaram entre os prestadores de serviços da saúde, restaurantes, empresas de construção e o próprio governo.

O mercado, por sua vez, não olhou muito para os bons resultados do emprego e segue focado na preocupação causada pelos efeitos econômicos globais do coronavírus. As Bolsa mundiais não fizeram movimento consolidado para nenhum dos lados mostrando que o freio de mão ainda está puxado.