Sendo bem sincero, nada de muito impactante aconteceu, mas depois de duas semanas de baixa, o Ibovespa se recuperou bem e já começa a olhar de novo para as máximas históricas, próximas dos 110 mil pontos.

Mesmo com o bom momento da Bolsa, o dólar subiu com força após as conversas entre Estados Unidos e China - mais uma vez - desandarem. Por enquanto, o Banco Central ficou de fora, o que reduziu as apostas de uma Selic abaixo de 4,5% ao final do ano.

No corporativo, destaque para a parceria entre Magazine Luiza e Lojas Marisa nas vésperas da Black Friday. E falando em Black Friday, ficamos de olho para os números do varejo na semana que vem, assim como para os dados do PIB americano que podem reforçar (ou não) as preocupações com o crescimento mundial.

    • Economia: Disparada do dólar.
    • Corporativo: Ambev sob novo comando e mais IPOs nos EUA. 
    • Em destaque: Magalu ataca novamente, dessa vez junto com a Marisa. 
    • No exterior: Mais um capítulo na série entre EUA e China. 
    • Fique de olho: Black Friday e PIB americano.

 

ECONOMIA

Lá se vai a Disney.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China deu novo soluço e, com ele, o que sempre acontece: corrida por investimentos mais seguros e alta do dólar frente às demais moedas, especialmente as emergentes. 

O Real, claro, não passou ileso pelo processo. A taxa de câmbio chegou a bater R$4,22 em seu pior momento, apesar de ter conseguido recuar para baixo dos R$4,20 na sequência. O Banco Central ameaçou atuar vendendo dólares para segurar a alta, mas tirou o corpo fora.

Mesmo assim, o sentimento geral do mercado é de que, caso a alta do dólar comece a impactar na inflação, o BC poderia segurar a queda dos juros para atenuar o movimento. Não é o que observamos até o momento. O IPCA-15 divulgado nesta sexta-feira (22) trouxe nova queda no acumulado de 12 meses. Mesmo assim, o mercado já não aposta mais em Selic abaixo de 4,5% em 2019, como alguns já vinham testando.

Com os juros baixos, já era esperado que o câmbio pudesse sofrer, mas a lentidão da economia brasileira, somada às consecutivas turbulências políticas e econômicas no exterior, acaba colocando ainda mais pressão sobre o Real. Talvez aquela viagem para a Disney tenha que ficar para outra hora.

CENÁRIO CORPORATIVO DO BRASIL

Heineken amarga.

Após quase 30 anos de casa, Bernardo Paiva, que ocupava o cargo de CEO da Ambev (ABEV3) desde 2015, deixa a Companhia. Em uma gestão que vinha enfrentando dificuldades, com o crescimento da Heineken e aumento da concorrência no Brasil, Bernardo decide deixar o cargo para seguir projetos pessoais.

Segundo anunciado pela Cervejeira, o sucessor para o cargo será Jean Jereissati, atual diretor de vendas e marketing da Companhia. Jereissati está na Ambev desde 2000 e já ocupou várias posições dentro da Empresa.

Cogna estuda ofertar ações da Vasta nos EUA.

A Cogna (COGN3) prepara IPO da Vasta, sua linha de sistemas de ensino e serviços para o ensino básico. A antiga Kroton estuda abrir capital da Vasta nos Estados Unidos, provavelmente na NASDAQ, em uma oferta majoritariamente secundária.

A Empresa busca precificar a Vasta em cerca de R$8 bilhões, aproveitando o bom humor do mercado com a Arco Educacional, que caiu nas graças do investidor estrangeiro na NASDAQ. Com a captação, a Cogna consegue aliviar sua alavancagem financeira pós aquisição da Somos Educação.

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ATIVOS EM DESTAQUE DO BRASIL 

De mulher pra mulher, Marisa e Luiza. 

Um novo feat. acaba de invadir o universo do varejo e essa parceria promete render mais que a dupla Simone e Simaria com seus hits de sucesso. Estou falando da união entre Magazine Luiza (MGLU3) e Lojas Marisa (AMAR3). 

Não é de agora que a Magalu tem se posicionado em nichos diferentes de atuação e o acordo com a Marisa se assemelha muito com a collab collab com o Carrefour, que visava criar um novo modelo de negócio para explorar ao máximo a expertise das duas varejistas, que já atuam no segmento de bens duráveis. 

Sobre Marisa e Magazine Luiza, as varejistas anunciaram ao mercado na quinta-feira (21) uma parceria para a comercialização de produtos de tecnologia. A Magazine Luiza será responsável pela venda de aparelhos eletrônicos como celulares, acessórios e serviços digitais em mais de 300 lojas da Marisa. 

Para Magalu, a parceria é positiva, porque expande de maneira significativa sua base de clientes potenciais, além de aumentar sua diversificação geográfica. Para Marisa também é bastante interessante (tanto que as ações da empresa chegaram a subir mais de 5% depois do anúncio), porque amplia a gama de produtos ofertados pela varejista, que já tentava engatar nesse universo tecnológico, mas sem grandes hits. Nos resta agora aguardar qual o próximo passo da dona Luiza, afinal de contas semana que vem tem Black Friday e Magalu não deve perder essa. 

BOLSAS DE VALORES NO MUNDO

História Sem Fim.

Novamente temos a novela da guerra comercial entre EUA e China. No começo da semana, o S&P 500 (principal índice da Bolsa norte-americana) renovou máximas com o otimismo vindo da possível resolução. Porém, logo na segunda-feira (18), a China deu sinais de desânimo em relação ao prosseguimento do acordo, jogando um balde de água fria nos investidores. O presidente Donald Trump não aceitou reverter tarifas - US$250 bilhões em produtos chineses - que eram o ponto chave para o acordo.

A discussão ainda se prolonga e no meio da semana sai a notícia de que o Congresso norte-americano apoiou as manifestações em Hong Kong, colocando mais um empecilho nas negociações. Isso levou a China a ameaçar retaliação se o projeto lei for aprovado e colocou como forte interferência nas negociações o fato dos EUA se posicionarem a favor dos manifestantes. Apesar das movimentações negativas, negociadores dos EUA foram convidados para nova rodada de negociações na China. 

Toda essa situação de guerra comercial prejudica o mundo de maneira geral, pois afeta a confiança do empresário e assim reduz o nível de investimento. Além disso, o risco global vem aumentando por danificar a cadeia de oferta. O receio do mercado é não ver uma decisão ainda em 2019, estressando ainda mais as Bolsas de todo o mundo e trazendo um começo de ano ainda mais incerto visto o possível desaquecimento da economia global. 

Fique de olho

Fique de olho no PIB americano.

O destaque para semana que vem fica à divulgação do PIB norte-americano que sai na quarta-feira (27). A atenção dobra para a divulgação, pois o último resultado, divulgado no final de outubro, superou as estimativas do mercado e fez com que o presidente do Fed, Jerome Powell, mudasse o seu discurso. Em nota oficial, o Fed suprimiu e expressão “agir conforme o apropriado”, o que sinalizou uma pausa nos cortes dos juros americanos pelo menos neste ano. 

Por isso, o resultado da próxima quarta se torna tão importante, já que pode dar pistas sobre qual rumo será dado pelo Banco Central americano.

Internamente, vale destacar ainda a Black Friday, na próxima sexta-feira (29), um dos eventos de venda virtual que mais movimenta o mercado no mundo todo. Bons números nas vendas da Black Friday podem fortalecer o setor de varejo e sinalizar recuperação mais rápida da economia brasileira.