Presente de Natal.


É nossa penúltima carta do ano e, ao que tudo indica, encerraremos o ano em grande estilo. O Ibovespa rompeu mais uma vez sucessivas máximas históricas nesta semana. A diminuição das tensões externas deram o terreno fértil para que as boas notícias internas pudessem florescer.
Vimos dados fortes do mercado de trabalho, inflação acima do esperado, confiança em alta na indústria e o risco-país em queda. Ao que tudo indica, a economia brasileira finalmente deve pegar tração a partir do próximo ano.

Surfando nesse ambiente de otimismo, vemos reformulações no setor de saúde e de cosméticos, além de aquisições no setor de autopeças que levaram a Tupy a disparar mais de 20% na semana.

Semana que vem já é Natal. A Bolsa não opera nem no dia 24 e nem dia 25, então o volume deve ser consideravelmente mais baixo. Seguimos de olho para as últimas movimentações de 2019 e que ainda podem trazer boas oportunidades antes de 2020.

Os destaques da semana:

  • Economia: Pegando no tranco.
  • Corporativo: Agitação na saúde e reestruturação na Natura.
  • Em destaque: Tupy compra Teksid.
  • No exterior: Impeachment de Trump, Brexit e dados de PIB e Juros. 
  • Fique de olho: Natal deve reduzir a volatilidade.


Festas de fim de ano.

Depois de passarmos o ano aguardando bons números da economia brasileira, parece que, finalmente, esse momento chegou. Nesta semana, uma coleção de boas notícias animaram o mercado e fortaleceram as expectativas positivas para 2020.

Os números do CAGED, importante indicador do mercado de trabalho, trouxeram boa criação de empregos formais. Mais precisamente, o dobro do que o esperado. Os dados de inflação medidos pelo IGP-M e pelo IPCA-15 mostraram forte alta dos preços no acumulado do mês.

Claro, ninguém gosta de inflação e uma parte importante da alta veio dos alimentos e da carne, ainda pressionada pela peste suína que dizimou boa parte dos rebanhos chineses. Mesmo assim, inflação mais forte, em geral, indica uma economia mais aquecida, o que corrobora com a leitura de que as coisas estão melhorando.

Pra amarrar, o CDS, principal indicador de risco de um país, caiu para o menor nível desde 2012, mostrando a confiança dos investidores no Brasil. A confiança da indústria também atingiu seu maior nível em quase 10 anos. Tudo isso junto derrubou o dólar após semanas de alta. 

O otimismo é tanto que até o Banco Central revisou para cima suas projeções para o crescimento da economia neste e no próximo ano. Em 2019, a expectativa é de avanço de 1,2%, enquanto em 2020 espera-se crescimento de 2,2%.

 

Competição saudável.

No final da semana passada tivemos a Hapvida (HAPV3) anunciando a aquisição da Plamed por R$57,5 milhões, com carteira de 31 mil planos de saúde. Nessa semana vimos também o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3) anunciar a aquisição da Ecole Serviços Médicos, com carteira de 45 mil beneficiários, por R$49 milhões. Em uma corrida por crescimento e consolidação no setor de saúde suplementar, 2019 foi um ano movimentado no setor de M&A (Fusões e Aquisições) para ambas as operadoras de saúde.

Ih, pera!

Outra aquisição na semana, também no setor de saúde, foi a compra da família Buscopan pela Hypera (HYPE3). A Companhia desembolsou R$1,3 bilhão para comprar a marca do Buscopan, líder de mercado e segundo colocado no Brasil dentro do mercado de medicamentos isentos de prescrição.

A aquisição tem potencial de melhorar o desempenho da Hypera sem comprometer significativamente seu nível de endividamento.  A transação ainda depende do não-exercício de preferência da francesa Sanofi e da autorização da autoridade antitruste

Deixa acontecer naturalmente.

A Natura Cosméticos (NTCO3) trocou o seu ticker (código na Bolsa) de NATU3 para NTCO3. Dessa maneira, não é mais possível fazer trocadilhos como de que a ação está fazendo uma alta natural, mas ainda dá pra dizer que o movimento cheira bem.

A troca de ticker está por trás de um movimento de reestruturação societária, envolvendo a incorporação das ações da Natura Cosméticos pela Natura &Co e a aquisição da Avon.

Aparentemente, Tupy não fez um programa de índio.

A Tupy (TUPY3), que não está no mercado de arcos e flechas e sim nos segmentos de cabeçotes para motor e blocos de ferro, anunciou que comprou a Teksid por 210 milhões de euros, cerca de R$950 milhões. 

A aquisição foi extremamente estratégica para expandir seus segmentos e portfólio, podendo gerar uma grande sinergia e ganhos consideráveis. A ação da Empresa nesta sexta-feira (20) sobe cerca de 12%, demonstrando o otimismo do mercado com a aquisição.

Juntas, as Companhias detêm cerca de 10% do mercado global de blocos de ferro e cabeçotes, mas a operação ainda carece de aprovação do CADE, órgão nacional que avalia as aquisições e é protetor da livre competição. 

 

O Impeachment que pode ajudar.

Como havíamos comentado na semana passada, a Câmara dos Estados Unidos aprovou o impeachment do presidente Donald Trump. Com isso, ele se torna o terceiro presidente a ser impeachmado na história norte-americana.
 
O pedido vem depois de várias denúncias de abuso de poder contra o presidente após telefonema para o presidente da Ucrânia pedindo a investigação do democrata Joe Biden a fim de atrapalhar a campanha do rival. Pesa também contra Trump uma acusação de obstrução do Congresso com relação à não colaboração com a investigação na Câmara dos Deputados. Vale lembrar, contudo, que o presidente ainda não perde o cargo, uma vez que o afastamento depende de julgamento no Senado.
 
A movimentação acontece próxima da corrida de Trump pela reeleição. Portanto, tal fato pode impactar (ou não) a imagem de Trump e sua força para a próxima eleição. O mercado tem gostado de um modo geral da sua gestão, fazendo o S&P 500, principal índice da Bolsa americana, bater recordes históricos. Os números da economia norte-americana começam a tomar tração e as resoluções a respeito da guerra comercial começam a se desenrolar positivamente. 
 
Ainda assim, o principal fator que pesa a favor de Trump é que seu partido tem a maioria no Senado. Com isso, os democratas não devem conseguir os votos necessários para virar o jogo. 
 
Na verdade, o processo todo pode gerar justamente o efeito contrário e dar mais popularidade para Trump, acentuando a polaridade política. Se o resultado não acontecer antes do início da campanha, Trump pode utilizar tal argumento como propaganda.

Brexit segue para o último capitulo.

Na sexta-feira (20) tivemos a aprovação da proposta de Boris Johnson para a saída do Reino Unido da UE. A votação ficou 358 votos a favor e 234 contra a separação. O próximo passo agora é o texto passar por algumas emendas e outras votações na Câmara, processo que não deve trazer grandes problemas ao governo. O partido Conservador, do qual Johnson faz parte, agora tem maioria no Parlamento. 
 
O texto, que já conta com alterações do projeto original, traz mudanças em relação aos direitos dos trabalhadores, mudanças em decisões dos tribunais entre Reino Unido e União Europeia, na forma de pagamento do “divórcio” à UE, entre outras. 
 
Foi necessário que Johnson fizesse certos malabarismos para ver seu projeto aprovado agora. Agora é aguardar novas conversas entre os parlamentares que deverão acontecer entre 7 e 9 de janeiro. 

Dados nos EUA e Reino Unido.

Nos EUA, o PIB veio dentro das expectativas com resultado de 2,1% de alta no trimestre. O otimismo nos números da economia norte-americana está dando base para acreditarmos em uma maior força da economia global. 
 
Por sua vez, no Reino Unido, tivemos a decisão de taxa de juros inalterada na casa dos 0,75%. O que foi fora do esperado foi que houveram dois votos a favor de um corte de 0,25 p.p. Para o Banco da Inglaterra, o crescimento está limitado por um ambiente global fraco, porém o Banco elevou a expectativa de crescimento do PIB no ano para 1,6%, ante 1,5% em julho, e disse ser preciso ver uma evolução da política doméstica e do cenário externo para qualquer alteração na taxa. 

 

Natal deve reduzir a volatilidade.

Em um ano que contou com altos e baixos em relação à política e à economia brasileiras e que foi marcado pela incerteza acerca da guerra comercial entre os EUA e a China, é um tanto quanto surpreendente dizer que semana que vem já é Natal. Isso mesmo, chegou o momento de reencontrar familiares, trocar presentes e degustar deliciosos pratos natalinos.
 
E é justamente esse clima de festividades que deve predominar no mercado durante a próxima semana. Calma, não estamos falando que investidores trocarão presentes entre si ou servirão banquetes uns aos outros. Porém, em função do Natal, o número de negócios e o volume financeiro movimentado deve ser substancialmente menor. Dessa forma, não esperamos grandes oscilações durante a próxima semana, ainda mais que não teremos a divulgação de dados de grande relevância.
 
Àqueles que, mesmo assim, desejarem acompanhar o mercado, é importante terem ciência de que a Bolsa brasileira não funcionará nem na terça-feira (24) nem na quarta-feira (25). E é justamente neste clima de fim de ano que a equipe da Toro deseja a todos um excelente Natal!