Luz no fim do túnel.

 

A Black Friday ficou para trás, mas parece ter trazido com ela boas notícias: a economia dá finalmente sinais de vida. O PIB brasileiro foi divulgado nesta semana e surpreendeu positivamente o mercado.

E não foi só por aqui. Nos Estados Unidos a taxa de desemprego teve nova queda, indicando a força da economia local, mesmo em meio às disputas comerciais com a China (que sim, ainda continuam se arrastando). Por sinal, as decisões de taxa de juros na semana que vem podem dar novo impulso para esse movimento.

O clima de otimismo foi tanto que mesmo com o anúncio de taxações sobre as exportações de aço e alumínio brasileiros para a terra de Donald Trump, as siderúrgicas apresentaram bom desempenho. O Ibovespa em si voltou a bater a máxima histórica e superou os 110 mil pontos.

Claro que nem tudo são rosas. Smiles apresentou projeções ruins para 2019 e 2020 e conseguiu a proeza de cair 10% mesmo com todo o mercado altista.

  • Economia: Recuperação à vista.
  • Corporativo: “Pode taxar” e resultados da Black Friday.
  • Em destaque: Ibov em alta Smiles em queda
  • No exterior: Taxação do aço e alumínio, dados de emprego. 

Fique de olho: Taxas de juros no Brasil, nos EUA e na Europa.

Agora vai!

Passamos o ano reclamando dos dados ruins da economia brasileira e da lentidão de sua recuperação após a recente crise. Mas, quase no apagar das luzes de 2019, parece que as coisas começaram a melhorar.

Nesta semana tivemos a divulgação dos dados do PIB brasileiro do terceiro trimestre, os quais trouxeram crescimento de 0,60%. Ok, ok, não é um número absolutamente incrível, mas no acumulado de 2019 já temos 1,0% de crescimento, valor que deve aumentar quando incluirmos o quarto e último trimestre do ano.

Mais que isso, os dois últimos trimestres trouxeram valores interessantes de crescimento (0,50% e 0,60%, respectivamente), o que pode indicar que os cortes da taxa de juros já começam a dar resultado. Se for este mesmo o caso, os efeitos dos últimos cortes (que devem cessar agora em dezembro) ainda devem ser sentidos ao longo de todo o primeiro semestre de 2020.

Vale destacar também o fato de que o crescimento do terceiro trimestre foi puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento privado, mesmo com o gasto público ainda contribuindo de forma negativa por conta do atual estado das contas públicas.

Barra pesada.

Donald Trump, logo pra começar a semana, anunciou pela manhã que o Brasil e a Argentina estão desvalorizando suas moedas e, por isso, aumentaria as tarifas de importação do aço e alumínio de ambos.

A declaração do - sempre polêmico - Trump não teve o efeito que seria comumente esperado nas ações das siderúrgicas brasileiras. CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4), todas, acumulam alta expressiva na semana.

Podemos atribuir a “ignorada” do mercado em relação à declaração de Trump a alguns fatores. O primeiro deles se dá pelos volumes que as siderúrgicas exportavam aos EUA, que já não é eram tão relevantes para elas. Além disso, a Gerdau, por exemplo, possui plantas nos EUA, ficando livre destas taxas. Agora, o principal motivador é a força do mercado interno.

O mercado doméstico vem apresentando sinais de recuperação e a perspectiva para o futuro é ainda mais positiva. Com o aquecimento da economia brasileira, a demanda interna deve mais que compensar a possível taxação. A CSN já anunciou reajuste de 10% nos preços do aço, em função da alta do dólar e da diferença entre o preço do produto nacional e do importado.

Via Varejo brilha e vê luz na Black Friday.

Frente à decepção da Black Friday do ano passado, a Via Varejo (VVAR3) demonstrou ter feito o dever de casa e deu a volta por cima em 2019. Segundo o CEO da Companhia, a Via Varejo está de volta ao jogo.

Com os esforços logísticos e a “Omnicanalidade”, com a integração do e-commerce às lojas físicas, a empresa anunciou que 48% das vendas desta Black Friday foram pelos canais digitais e que a Empresa não apresentou instabilidades no sistema durante toda a sexta-feira. Com isso, a Empresa se mostra apta para voltar à competição e o cenário de turn-around vêm se mostrando cada vez mais próximo.

Sem risadinha.

Aquela velha máxima de que “o de cima sobe e o de baixo desce” se aplicou muito bem para as ações da Smiles (SMLS3) esta semana. Enquanto o Ibovespa alcançava um novo topo histórico, as ações da empresa de milhagens caiam mais de 10% e o motivo todo mundo já conhece, a companhia divulgou suas projeções para 2019 e 2020 decepcionando o mercado. 

  • Faturamento bruto, crescimento de: 5 a +10% para 2020 ante 1 a 2,5% para 2019. 
  • Margem direta de resgate, crescimento de: 25% a 30% antes 37 a 38,2% para 2019.

E a situação já não era das melhores, já que a Smiles tinha registrado queda de 29,5% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2019 na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Fechando o pacote de más notícias, algumas casas deixaram claro que não estão felizes com a Smiles, ligando o sinal de alerta do mercado em relação à companhia. Sem a intervenção da Gol (GOLL4) - que aparentemente não pretende renovar o contrato operacional de serviços - a Smiles vai ter um desafio e tanto pela frente. E, se uma nova estratégia não for iniciada, 2020 não vai ser um ano de voos altos para a empresa.

Nervos de Aço.

Saindo um pouco das notícias sobre guerra comercial (risos), essa semana o presidente Donald Trump tarifou o aço e o alumínio vindos do Brasil e da Argentina, trazendo um humor mais negativo ao mercado. A medida foi justificada como proteção aos produtores norte-americanos tendo em vista a desvalorização do real e do peso argentino no período. 

Funciona assim: com o dólar valorizado, os produtos norte-americanos sofrem com a demanda mais baixa pela razão de os produtos brasileiros estarem com preços mais atrativos, prejudicando a produção americana. A desvalorização do real também afeta o setor agrícola, que fica mais suscetível à importação dos mercados latino-americanos.

Trump já faz suas movimentações para as eleições de 2020. Os franceses também sofreram ameaças de impostos sobre US$2,4 bilhões em produtos como resposta às tributações feitas pela França sobre empresas de tecnologia. 

Ainda em território francês, sindicalistas do setor público fazem greve contra a reforma da previdência proposta pelo presidente Macron. O plano visa simplificar o sistema previdenciário de modo que todo aposentado tenha igual direito para cada euro contribuído, não fazendo distinção entre idade, classe ou sexo. 

Redes de transporte ficaram paralisadas e segundo a polícia francesa mais de 800 mil manifestantes foram às ruas. Os organizadores contabilizaram mais de 1,5 milhão de pessoas participando da manifestação.

Dados do Payroll.

Mais um dado forte vindo dos EUA puxou os mercados na sexta-feira (06). O Payroll, que mede a variação do número de pessoas empregadas e, por consequência, a força da economia, veio muito mais forte do que esperado, chegando a 266 mil empregos no mês de novembro, ante uma expectativa de 186 mil. 

Outro dado importante foi a taxa de desemprego, que também veio melhor do que esperado com 3,5%, ante expectativa de 3,6%. Todos esses números corroboram com um PIB mais forte, apresentado recentemente, mesmo com as recentes turbulências com a guerra comercial. 

Em meio a tudo isso, Trump ainda enfrentará um processo de impeachment na Câmara dos Deputados por abuso de poder e obstrução de justiça envolvendo sua relação diplomática com o presidente da Ucrânia. 

É normal a pressão vinda dos Democratas (oposição) com a eleição a caminho. Contudo, todos os dados econômicos e a força da economia americana como um todo não darão muitas chances de derrota para o polêmico presidente norte-americano. Ajuda também o fato de que seu partido (Republicano) controla o Senado, palco no qual a decisão final sobre o processo será tomada.

Taxas de juros no Brasil, nos EUA e na Europa.

Na semana que vem, uma frase norteará a atenção do investidor: “decisão de taxas de juros”. 

Aqui no Brasil, essa decisão ocorrerá na próxima quarta-feira (11) a partir das 18h. Sabemos que a economia brasileira ainda vem se recuperando mais lentamente do que esperado inicialmente, com previsão de que o PIB cresça algo próximo a 1,0% no ano de 2019. Além disso, a inflação encontra-se atualmente abaixo do piso da meta do ano de 2019, sem representar um motivo de preocupação para o Banco Central. 

Por isso, esperamos que o Copom realize mais um corte de 0,50 p.p. na taxa Selic, de forma que a nossa taxa de juros encerre o ano em 4,50% a.a. Caso esse corte realmente aconteça, esta será a quarta redução seguida na taxa, que iniciou o ano em 6,50% a.a.

Além da decisão da taxa de juros, também ficamos atentos aos argumentos que justificarão esta decisão do Copom. É possível que haja sinalizações que o Bacen não pretende realizar novo corte na reunião de fevereiro de 2020, de forma que a Selic fique em 4,50% a.a. por mais tempo. Inclusive, de acordo com o relatório Focus, espera-se que a taxa encerre 2020 neste patamar.  

Já nos Estados Unidos, a decisão dos juros também sai na quarta-feira (11), mas às 16h. Observamos, recentemente, dados da maior economia do mundo superando as expectativas do mercado, a exemplo do payroll e do PIB. Por isso, o mais provável é que o FOMC mantenha os juros dos EUA nos atuais patamares, na faixa de 1,5 a 1,75% a.a..

Consequentemente, caso o FOMC mantenha os juros e o BC realmente realize um corte de 0,50 p.p., veremos a redução da diferença entre os juros brasileiros e os norte-americanos. Por sua vez, isso pode ocasionar uma pressão ainda maior sobre o câmbio, ocasionando desvalorização do real devido à maior fuga de capital estrangeiro.

Encerrando a sequência de decisões das taxas de juros, teremos a Europa trazendo à tona seus dados na quinta-feira (12). Com taxas zeradas há bom tempo, a expectativa é de manutenção.