Se na semana passada os atritos dos Estados Unidos com rivais globais trouxeram preocupação, nesta semana foi exatamente o oposto. Depois de 18 meses de disputa comercial com a China, os dois países finalmente assinaram um primeiro passo para um acordo.

A boa notícia ofuscou até os números decepcionantes da economia brasileira, que mostraram o varejo, os serviços e a indústria crescendo, mas não na velocidade que se esperava. Ainda que não sejam resultados preocupantes, aumentaram as apostas em um novo corte da taxa de juros pelo Banco Central, com o intuito de dar mais impulso à recuperação econômica.

Já no cenário corporativo, vimos alguns destaques importantes como Azul, Weg e Valid, todas subindo mais de 5% na semana. A Light também entrou no radar dos investidores após o BNDES se desfazer de toda a sua posição na Empresa de uma só vez. A saída do Banco diminui a influência do governo sobre a gestão da Light, o que é sempre positivo.
 

Os destaques da semana:

  • Política e Economia: Varejo, serviços, indústria e IBC-Br.
  • Corporativo: Pouso e decolagem, motores a mil e digidentidade.
  • Em destaque: BNDES vende Light.
  • No exterior: Acordo comercial e PIB da China. 
  • Fique de olho:  Dados do CAGED, IPCA-15 e juros na zona do Euro.

É, não era o que esperávamos. 

Ainda no clima ameno da semana passada, os dados econômicos divulgados nesta semana acabaram decepcionando os analistas econômicos. Os setores de serviços e indústria não apresentaram o forte crescimento que se esperava em novembro, mostrando que a economia ainda não pegou tração. 

Já o IBC-Br, índice que serve de termômetro do PIB, surpreendeu positivamente. Por incluir o setor agropecuário, além de serviços e indústria, o entendimento é de que o primeiro foi quem surpreendeu em novembro, compensando os resultados mais fracos dos demais.

Por fim, as vendas no varejo também vieram abaixo do esperado. Esses números refletem o período da Black Friday, a qual especulava-se que tinha sido um grande sucesso no ano passado. 

Ainda que não sejam boas notícias, os dados dessa semana também não são motivo para pânico. Todos mostraram crescimento, o que é positivo. Além disso, os impactos da baixa da taxa de juros e da melhora do ambiente externo devem ser sentidos gradativamente ao longo do ano. Inclusive, ficamos de olho para a reunião do COPOM de fevereiro, na qual torna-se um pouco mais provável um novo corte na taxa Selic.

Azul voando alto.

Numa semana em que vimos um helicóptero tendo que fazer um pouso forçado no condado da Faria Lima, coração do mercado financeiro no Brasil, vimos por outro lado a Azul (AZUL4) decolando.

Na terça-feira (14), a Companhia anunciou o acordo para compra da aérea TwoFlex, que possui uma frota com 17 aeronaves e alcance de 39 destinos no Brasil, dos quais apenas 3 já são atendidos pela Azul. A aquisição reforça a estratégia da Companhia de expansão da área de atuação no País e ainda fortalece a Azul Cargo Express, com a incorporação da operação de carga da TwoFlex.

Além disso, o presidente da Azul declarou em conversa com o presidente da república, Jair Bolsonaro, a compra de 75 aviões da Embraer (EMBR3) para expandir a operação, com um plano de voo que visa alcançar 200 destinos nacionais nos próximos anos.

E tem mais! A Empresa anunciou também nesta semana que em junho começará a operar um voo diário entre o aeroporto de Viracopos (Campinas-SP) e Nova York. Agora com 3 destinos nos Estados Unidos, a Azul passará a ter 30 ofertas de voos semanais do Brasil para a terra do Tio Sam.

Weg com motores ligados.

A WEG (WEGE3) é mais uma a se destacar na semana. Com dois anúncios importantes, a Companhia registrava mais de 8,0% de alta semanal na tarde de sexta-feira (17).

Na terça-feira (14) a Empresa anunciou a assinatura de contratos com a Aliança Energia, joint-venture entre a Cemig (CMIG4) e a Vale (VALE3), para fornecer aerogeradores para a construção de 4 parques eólicos, além da prestação dos serviços de logística, montagem e comissionamento, operação e manutenção.

O segundo anúncio veio na quinta-feira (16), com um novo acordo com a TSEA (Transformadores e Serviços de Energia das Américas) para a compra de uma fábrica de Transformadores em Betim-MG, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Identidade Digital… Será que é válido?

A Valid (VLID3) anunciou que será responsável pela emissão do RG Digital no estado de São Paulo. A princípio, o documento digital será disponibilizado apenas para policiais civis, mas a ideia é disponibilizar para o restante da população no futuro.

As ações da Companhia, que já é responsável em vários estados pela emissão de carteiras de identidade, motorista e outros documentos, chegaram a registrar cerca de 15% de alta na semana.

Pode isso Arnaldo? 

Enquanto na semana passada falamos sobre o jeitinho mineiro da Cemig (CMIG4), hoje quem ganha destaque é a carioca Light (LIGT3). Tudo começou quando o BNDES zerou sua posição na Light, mas o que pegou todo mundo de surpresa foi a forma como essa transação aconteceu. 

Até então, o Banco de Desenvolvimento não encerrava suas posições numa pancada só, mas como diria Arnaldo Cezar Coelho, “a regra é clara”, e na noite de quarta-feira (15), através de um block trade, o BNDES embolsou quase meio milhão de reais nessa venda. Já que estamos falando da família Coelho, foi Ronaldo Cezar Coelho, irmão do dono da célebre frase, que comprou mais uma fatia da energética carioca, se tornando dono de 7,6% da Companhia. 

Mas seria essa uma luz no fim do túnel para Light? Ainda é cedo para dizer, afinal, a Companhia ainda enfrenta inúmeros problemas de gestão e altos números de inadimplência. O que podemos afirmar é que vale a pena acompanhar essa movimentação entre as elétricas Brasil afora. 

Fala Trump, bom dia, cara. Vamos fechar o acordo?

Demorou, mas o primeiro passo foi dado. Na quarta-feira desta semana, EUA e China assinaram a primeira fase do acordo comercial, disputa que se estendeu por cerca de 18 meses. 

Dentre outros itens, o acordo prevê que a China compre mais de U$200 bilhões em produtos americanos. Os dois países podem ser punidos por roubo de informações comerciais consideradas sigilosas e não será mais obrigatório que as empresas tenham que transferir suas tecnologias. 

A fase 2 já está em pauta. Assim, o otimismo deve continuar com a evolução do acordo.

Ruim, mas é o que temos para hoje.

A economia chinesa é a segunda maior do mundo, somente atrás dos EUA (por enquanto), e mesmo assim cresceu 6,1% em 2019, o menor crescimento desde 1990. Contudo, as estimativas eram mais pessimistas do que esse resultado apresentado, o que acabou agradando o mercado. 

Porém, a melhora parece ser contínua. O avanço do acordo comercial entre Estados Unidos e China foi um dos destaques que contribuíram a favor do crescimento econômico. Os números relativos aos investimentos no 4T19 também foram relevantes: a variação em ativos fixos no ano foi de 5,4%.

Dados do CAGED, IPCA-15 e juros na zona do Euro.

Esta semana foi um tanto quanto movimentada a nível internacional. Tivemos, por exemplo, a divulgação do PIB chinês no 4T19 e a assinatura da fase I do acordo comercial entre os EUA e a China. A semana que vem, por sua vez, terá uma agenda igualmente importante e movimentada, mas os principais destaques ficarão por conta do cenário doméstico. 
 
na segunda-feira (20) o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, ou simplesmente CAGED, divulgará o índice de evolução de emprego de dezembro e o consolidado de 2019. Esta divulgação mostrará quantas pessoas foram contratadas no mercado de trabalho formal, quantas foram desligadas e o saldo final.
 
Fazendo-se uma análise dos dados de 2019 já divulgados pelo CAGED, observa-se que as admissões superaram os desligamentos em 948 mil, apresentando uma variação de 2,47% em relação ao fim de 2018. Apesar de todos os oito setores analisados terem apresentado saldo positivo até então, a construção civil se destaca, tendo apresentado uma evolução de 5,93%.
 
Dessa forma, os dados de segunda devem ratificar os números positivos apresentados ao longo do ano passado. Isso pode servir de indício que a economia brasileira está ganhando tração e deve continuar crescendo ao longo de 2020. Além disso, também pode sinalizar uma migração do mercado de trabalho informal para o formal, o que é bem-vindo do ponto de vista da economia.
 
Na quinta-feira (23) acontecerá a divulgação do IPCA-15. Por levar em conta a variação dos preços entre o dia 16 de dezembro de 2019 e o dia 15 de janeiro de 2020, este indicador pode ser utilizado como uma prévia do IPCA, que é o índice oficial de inflação. 
 
O IPCA-15 é plausível de atenção visto que o IPCA foi de 1,15% em dezembro em função, principalmente, da elevação de 3,38% do segmento de alimentação e bebidas. Por sua vez, tal alta se deu em decorrência da peste suína africana que dizimou parte considerável do rebanho de suínos da China.
 
Caso o IPCA-15 supere as expectativas, é possível que as apostas de um novo corte da Selic em fevereiro, quando ocorrerá a próxima reunião do Copom, caiam. Em contrapartida, caso o IPCA-15 mostre que a alta das carnes foi um efeito pontual, impactado pelas festas de fim de ano, e que está se diluindo, as apostas de um novo corte da Selic devem aumentar.
 
No cenário internacional, o mercado ficará atento à decisão dos juros na zona do Euro que acontecerá na próxima quinta-feira. Esta taxa se encontra em 0,0% desde o início de 2016 e a expectativa é de que ela seja mantida nos atuais patamares. Ainda na quinta, haverá a coletiva do Banco Central Europeu (BCE), na qual os dirigentes explicarão a decisão dos juros e podem dar indícios sobre a saúde econômica no “Velho Continente”.