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Crise de 1973: entenda como o petróleo derrubou a economia

Quedas abruptas da Bolsa de Valores podem acontecer por diversos motivos, como o caso da Crise de 1973.

Os Estados Unidos passavam por problemas internos após anos de contínua prosperidade que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.

O S&P 500, principal índice da Bolsa de Nova York havia multiplicado por 7 seu valor desde o início dos anos 1950. Porém, a estagnação econômica começava a segurar o mercado acionário.

É nesse contexto de fragilidade que estoura o primeiro choque do petróleo em 1973.

Síria, Egito e Israel entraram em conflito no Oriente Médio, o que levou os Estados Unidos a intervir em favor de seus aliados israelenses. O movimento desagradou os demais países árabes, aliados de Egito e Síria.

Leia mais e entenda como eclodiu a Crise de 1973!

O que foi a Crise de 1973?

A Crise de 1973, também conhecida como a Crise do Petróleo, foi um evento econômico significativo causado pelo embargo de petróleo imposto pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em resposta ao apoio dos EUA e outros países ocidentais a Israel durante a Guerra do Yom Kippur.

Contexto

Os principais fatos que cercaram o contexto da crise foram:

  1. Guerra do Yom Kippur (1973): em outubro de 1973, Egito e Síria atacaram Israel. Os EUA e outros países ocidentais apoiaram Israel com armamentos e suprimentos.
  2. Embargo da OPEP: em retaliação, a OPEP, liderada por países árabes, decidiu reduzir a produção de petróleo e impor um embargo às nações que apoiavam Israel, incluindo os EUA e os Países Baixos.

A Crise do Petróleo de 1973 marcou uma mudança drástica na economia global, destacando a vulnerabilidade das nações industrializadas à interrupção do fornecimento de energia e levando a um período prolongado de estagnação econômica e inflação, conhecido como “estagflação”.

O S&P 500, principal índice da Bolsa de Nova York havia multiplicado por 7 seu valor desde o início dos anos 1950. Porém, a estagnação econômica começava a segurar o mercado acionário.

Boa parte desses países era também parte da OPEP, cartel de exportadores de petróleo que agia (e ainda age) para coordenar suas respectivas produções e beneficiar os Estados membros.

A resposta foi um embargo aos americanos e a outros países ocidentais que levou os preços internacionais da commodity a quadruplicarem em cerca de 6 meses.

Se hoje o petróleo é uma fonte importantíssima de energia, nada se compara com o que era nos anos 1970. A situação era ainda mais aguda nos Estados Unidos, que vinham aumentando exponencialmente seu consumo e se tornando cada vez mais dependentes da importação de outros países.

Por falar nisso, veja a movimentação recente do preço da commodity:

Entre setembro de 1973 e 1974, o S&P 500 caiu mais de 40%. Mesmo assim, passado o pânico inicial, em menos de um ano o índice já havia avançado 50%. Em 2 anos, já estava muito próximo do patamar pré-crise.

Quais foram as consequências da Crise de 1973?

Resumidamente, os principais impactos foram:

  1. Preços do petróleo: o preço do petróleo quadruplicou, passando de cerca de US$ 3 por barril para quase US$ 12 por barril em poucos meses.
  2. Inflação e recessão: aumento dos custos de energia levou a uma inflação significativa e a uma recessão global. Os preços dos bens e serviços dispararam, afetando severamente a economia mundial.
  3. Mudanças nas políticas energéticas: países ocidentais começaram a buscar independência energética, investindo em novas fontes de energia e em eficiência energética.
  4. Impacto prolongado: a crise teve efeitos duradouros na economia global, alterando a dinâmica do poder econômico e político entre os países produtores e consumidores de petróleo.

Como foi a recuperação da Crise de 1973?

A recuperação rápida é comum em turbulências dessa magnitude: conforme o período de incerteza radical do começo da crise vai se dissipando, o horizonte de investimentos se torna mais claro, os players do mercado ficam mais confiantes e o mercado volta a operar normalmente.

Contudo, por outro lado, a recuperação da Crise do Petróleo de 1973 foi um processo longo e multifacetado que envolveu ajustes econômicos, mudanças políticas e inovações tecnológicas.

Aqui estão os principais aspectos da recuperação:

1. Políticas de energia e diversificação

Muitos países, especialmente os ocidentais, investiram em tecnologias para melhorar a eficiência energética e reduzir o consumo de petróleo.

Houve um aumento significativo nos investimentos em fontes de energia alternativas, como nuclear, solar e eólica. Países consumidores de petróleo começaram a explorar e desenvolver suas próprias reservas de petróleo e gás.

2. Mudanças econômicas

Os governos e Bancos Centrais adotaram políticas para controlar a inflação e estimular o crescimento econômico. Isso incluiu o aumento das taxas de juros e medidas de austeridade em alguns casos.

As economias fortemente dependentes de petróleo buscaram diversificar suas atividades econômicas para reduzir a vulnerabilidade a choques no mercado de energia.

3. Geopolítica e Relações Internacionais

Houve esforços diplomáticos para estabilizar as relações entre países produtores e consumidores de petróleo, incluindo a criação de reservas estratégicas de petróleo.

Além disso, houve a criação de políticas internacionais para evitar futuras crises energéticas, como o fortalecimento da Agência Internacional de Energia (AIE).

4. Impacto sociocultural

A crise levou a uma maior consciência sobre a conservação de energia e a importância de fontes de energia renováveis.

No mais, o impacto da crise ajudou a impulsionar o movimento ambientalista, que ganhou força na década de 1970 e continuou a influenciar políticas públicas.

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