Apesar de toda a preocupação com a pandemia do coronavírus, a semana foi bastante positiva para a Bolsa brasileira. Ok, é bom que fique claro que nada disso foi mérito de movimentos internos no País, mas sim do anúncio de medidas robustas de enfrentamento da crise em diversos países.

O que mais animou os investidores foi o plano de US$2 trilhões aprovado pelo Congresso norte-americano, que visa conter o aumento do desemprego e proteger empresas da falência enquanto as duras medidas de quarentena permanecerem de pé. Medidas semelhantes foram tomadas na Europa, gerando um clima mais leve que levou o Ibovespa a uma alta de 9,5% na semana.

E não são só os governos que estão se mexendo, diversas empresas brasileiras estão ajudando na produção de álcool gel e com doações para ajudar no combate. Até as aéreas, que tanto sofreram nesse início de ano, conseguiram dar uma respirada esta semana.

Claro que a crise está longe do fim, mas já é um alento em meio a tantas notícias ruins. Seguiremos acompanhando os próximos desdobramentos. Não saiam de casa!

Os destaques da semana:

  • Política e Economia: Só isso?
  • Corporativo: Mãos dadas e Covid na Temporada de Balanços.
  • Em destaque: Viagens canceladas, mas calma.
  • No exterior: Medidas de estímulo, seguro desemprego e coronavírus. 

Vai precisar de mais.

Enquanto muitos países se movem para conter os danos econômicos da pandemia e mitigar os impactos da recessão global que, quase certo, se avizinha, o Brasil ainda anda a passos lentos nesse caminho. Em verdade, várias medidas foram anunciadas, ainda que poucas tenham sido implementadas e algumas, inclusive, tenham sido revogadas pela repercussão negativa que geraram.

São três os fronts principais de ação:

  • Proteger as empresas para que sobrevivam ao período de quarentenaProteger as empresas para que sobrevivam ao período de quarentena.
  • Proteger os trabalhadores que perderem seus empregos ou que deixem de receber por conta da crise.
  • Garantir a saúde do sistema financeiro para que a situação não se torne ainda pior.
No último caso, o Banco Central têm se mostrado enérgico, reduzindo requerimentos de liquidez, abaixando os juros e lançando mão da compra de ativos para que não falte dinheiro nos bancos.

Os demais pontos são mais sensíveis. As empresas já têm reportado dificuldades em conseguir acesso a crédito, especialmente o capital de giro necessário para pagar as contas mais urgentes. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES lançaram novas linhas de financiamento para atender esses casos, mas os volumes não chegam a R$300 bilhões (cerca de 4% do PIB de 2019).

Para os trabalhadores com carteira assinada, há um fundo de R$36 bilhões para subsidiar salários nas empresas que não tiverem condições de arcar com eles por conta da quarentena. Já os trabalhadores informais devem ser amparados por um auxílio mensal de R$600,00, valor que começou em R$200,00 e foi sendo elevado ao longo da semana. O reforço ao Bolsa Família e a outros programas de transferência também ajuda os mais vulneráveis, mas ainda está longe de dar conta da demanda que surgirá nos próximos meses.

Há outras propostas em pauta e é quase certo que hajam mudanças nos números nos próximos dias, mas é preciso que isso seja feito o mais rápido possível. Como adiantamos semana passada (e como parece ser consenso entre economistas das mais diversas vertentes), uma atuação pesada do governo será necessária para que essa crise não se torne ainda mais intensa e duradoura.

Qualquer ajuda é bem vinda.

Na semana passada, falamos um pouco sobre os impactos do Covid-19 nas empresas e sobre as medidas que algumas estavam tomando, como fechamentos de fábricas e lojas, home-office e empréstimos para fortalecimento de caixa.

Dessa vez, vamos falar sobre como algumas empresas estão procurando ajudar no combate ao coronavírus e aos seus, ainda difíceis de estimar, impactos econômicos e sociais. A união é importante no combate à crise e algumas das nossas empresas estão dando um show.

A Vale (VALE3), por exemplo, comprou cerca de 5 milhões de testes para o coronavírus, além de equipamentos para profissionais de saúde, para serem doados ao governo federal. A Mineradora também vai adiantar pagamentos a fornecedores para ajudar pequenas e médias empresas que atuam dentro da sua cadeia de suprimentos. A Petrobras (PETR4) é outra empresa que também anunciou a compra de testes para doar ao SUS.

Em Belo Horizonte, doaram cerca de R$2,8 milhões em alimentos:

Também na capital mineira, a família Menin (que controla MRV, Banco Inter e Log) doou R$10 milhões para compra de respiradores.

Além disso, com a recém falta de álcool em gel no mercado, pudemos observar a mobilização para produção por parte de diferentes setores da economia. Tomaram as iniciativas para produzir e doar álcool gel, contribuindo no combate ao vírus:

Na semana que vem, disponibilizaremos na nossa plataforma um filtro com recomendações de empresas com esse tipo de iniciativa.

Efeitos do coronavírus na Temporada de Balanços.

Cada vez mais sentimos os efeitos da pandemia, agora o Covid-19 começa a gerar suspensão/postergação de dividendos, como no caso de IRB (IRBR3) e Fleury (FLRY3), e adiamento da divulgação de resultados, como no caso da Cogna (COGN3) e da Equatorial (EQTL3). Fora isso, tivemos nessa semana:

A JBS (JBSS3) apresentou um resultado forte em 2019, tendo aproveitado a peste suína e o câmbio. A Empresa conseguiu avançar em volumes, margens e registrar um aumento substancial no lucro líquido.

A Oi (OIBR3) segue apresentando resultados desafiadores, o que já era esperado. As linhas de receita seguem sendo pressionadas e a grande expectativa fica para venda da unidade móvel para Tim (TIMP3) e Vivo (VIVT4).

Divulgaram também seus resultados:

Bola na rede e céu Azul.

O cenário continua o mesmo: estabelecimentos fechados, projeções econômicas preocupantes e pessoas dentro de casa. Não dá pra esperar a pandemia acabar, como falamos semana passada, é hora de arregaçar as mangas e trabalhar, mas trabalhar em isolamento, viu? A quarentena continua… E foi isso que muitas companhias fizeram. Nesta semana, chamou a nossa atenção o posicionamento das empresas aéreas e de turismo.

Como toda boa viagem, vamos começar pela empresa de turismo. Esse cenário turbulento não começou agora para CVC (CVCB3). Desde a divulgação de seu último resultado a Companhia já vinha sofrendo com fatores não recorrentes, como os casos de óleo no litoral do nordeste. Além disso, chegou a ser colocado em xeque a transparência os dados contábeis da Empresa e, com a disseminação do coronavírus, as ações da CVC despencaram ainda mais. Mesmo assim, nesta semana a CVC chegou a subir quase 60%, ficando no topo das maiores altas do Ibovespa.

Medidas como redução de salários da diretoria executiva, postergação de projetos não prioritários e contenção de demais custos conseguiram agradar o mercado, mas não foi o suficiente para compensar as quedas no ano, já que a CVC continua no pódio de maiores baixas.

Continuando nossa viagem mercadológica, vamos de um empresa que conseguiu marcar um gol essa semana, mesmo com os estádios fechados. Ela mesma: a Azul (AZUL4). O CADE aprovou a compra da Twoflex pela Azul, o que amplia as atuações da Empresa no mercado de transporte aéreo em âmbito nacional. E a notícia veio em ótimo momento, trazendo um alívio significativo para a Aérea, que chegou a subir mais de 41% na semana, mas sem conseguir sair do TOP 3 - Maiores Quedas de 2020.

Por fim, mas não menos importante, a Gol (GOLL4) conseguiu a medalha de maior alta do Ibovespa da semana, chegando a subir 75%. Não foi à toa que a Gol teve melhor recuperação dentre as três que citamos. A Aérea apresentou um plano estratégico para encarar até 3 meses de crise que vai desde corte nos salários dos tripulantes, que diminui os custos, até organização do fluxo de manutenção das aeronaves, o que prepara a Empresa para a retomada. Na corrida de quem cai mais no ano, a Gol não levou medalha, mas precisa ficar de olho, pois a disputa está bem acirrada.

A cavalaria chegou!

Na frente de combate aos efeitos negativos do novo coronavírus, além de entrarem em quarentena, os países têm se esforçado para aprovar medidas de ajuda econômica para mitigar os problemas causados pela pandemia. Entre os principais objetivos dos pacotes previstos estão: o auxílio a trabalhadores informais e/ou de baixa renda, capital de giro para as empresas, redução ou adiamento de impostos corporativos e recursos para o sistema de saúde, principalmente no reforço com novos leitos de assistência respiratória.

Numa visão mais ampla, os líderes do G-20 (grupo formado pelos 20 maiores países mais industrializados do mundo), se comprometeram a injetar mais de US$5 trilhões na economia global com o intuito de combater os diversos impactos da pandemia. No documento da reunião constam medidas como a troca de dados clínicos e epidemiológicos, o reforço dos sistemas de saúde e a coordenação para pesquisa e desenvolvimento de vacinas e medicamentos.

O Banco Central dos EUA (FED) anunciou a realização de compras de ativos de forma ilimitada para ajudar os mercados a enfrentarem o choque provocado pelo coronavírus. Entre as disposições, há um programa de US$300 bilhões de apoio ao fluxo de crédito. Nos EUA, também acompanhamos a tramitação do pacote de medidas na ordem de US$2 trilhões de ajuda do governo norte-americano à economia. Entre as medidas é previsto que cada adulto receba um cheque de US$1.200 e cada criança um cheque de US$500. Já as pequenas empresas terão US$350 bilhões para amenizar os impactos negativos sobre suas atividades e estabilizar setores-chaves. Hospitais e sistemas de saúde devem receber ao todo US$100 bilhões, enquanto US$150 bilhões devem seguir para governos locais e estaduais. A proposta ainda depende de aprovação do Presidente Donald Trump.

Na Europa, o receio de uma depressão econômica levou a estímulos governamentais que já somam €1,8 trilhão (o que é maior do que o PIB brasileiro em 2019). No Reino Unido, o Governo anunciou 3 pacotes de estímulo que somam £418 bilhões, ou cerca de R$2,7 trilhões. A França anunciou um pacote de €345 bilhões, a Itália terá estímulo fiscal na ordem de €25 bilhões e outros governos também lançaram medidas nesta semana, entre os quais, Grécia, Suécia e Dinamarca.

Já a Alemanha, maior economia da União Europeia, aprovou um plano de resgate recorde (desde a II Guerra Mundial) de aproximadamente €1,1 trilhão para se proteger da pandemia e compensar a queda de receitas do Governo, o que representa cerca de um terço da riqueza total produzida pelo País em um ano. Desde 2013, será a primeira vez que a Alemanha tomará dívidas de até €156 bilhões, uma vez que o plano requer o fim da política de equilíbrio orçamentário de “déficit zero” e do “freio ao endividamento”.Além disso, seu Banco Central (o Bundesbank) apresentou pacote de €800 bilhões para ajudar empresas.

No âmbito da União Europeia, a Presidente do BCE declarou que “tempos extraordinários requerem ações extraordinárias” quando anunciou um programa de incentivos de €750 bilhões.

O choque causado pelo coronavírus já impacta o desempenho da maior economia do mundo. Os dados sobre pedidos de seguros-desempregos nos EUA chamaram a atenção do mercado: superaram os 3 milhões na semana passada, ante 282 mil na semana anterior. Tal número ultrapassa em peso o recorde anterior de pedidos em uma única semana, o que ocorreu em outubro de 1982 (com 695 mil pedidos), e também sobrepõe o total de pessoas que recebiam o benefício na semana concluída em 7 de março, que somavam mais 2 milhões.

Nesta sexta, também ocorreu uma demonstração de conciliação entre China e EUA, depois de vários ataques verbais entre os gigantes da economia mundial nos últimos dias sobre a pandemia: o Presidente chinês, Xi Jinping, disse a Donald Trump que, embora tenham rivalidades, os dois países devem se juntar contra a pandemia.