Dólar em disparada.

 
Na semana da Black Friday, a única coisa que não entrou em desconto foi o dólar. A moeda americana subiu forte contra as demais divisas depois de dados positivos do PIB americano. Por aqui, o câmbio chegou a bater R$4,27 até que o Banco Central interviesse repetidas vezes no mercado para segurar as escaladas do dólar.

A baixa entrada de capital estrangeiro no país, junto com as declarações dos governo de que o patamar atual do câmbio não preocupa, indicam que o dólar não deve recuar muito num futuro próximo.

Mesmo assim, o cenário não é de todo ruim. Novas parcerias foram anunciadas, como a joint-venture entre Pão de Açúcar e Raia Drogasil e a cooperação entre Magazine Luiza e Linx. Teve também a venda de campos de petróleo entre Petrobras e Petrorio, o que catapultou o valor desta última.

E lá fora a situação também é otimista: dados positivos dos Estados Unidos acalmaram um pouco os ânimos após novo retrocesso nas negociações da Guerra Comercial. Se os dados do PIB brasileiro surpreenderem positivamente na semana que vem, é possível até que essa pressão altista do dólar se reverta.
 

Os destaques da semana:

Economia: Nova disparada do dólar.
Corporativo: Parcerias e mais uma “Tech”. 
Em destaque: De Petro pra Prio. 
No exterior: Guerra Comercial e PIB americano. 
Fique de olho: PIB brasileiro e payroll nos EUA.


Veja a seguir nosso relatório semanal completo. 

Câmbio engata marcha alta.

 Apesar de já termos falado disso na semana passada, o dólar seguiu mais uma vez trajetória de forte alta nesta semana. O estopim foram os dados ruins das contas externas brasileiras divulgadas na segunda-feira (25).

Claro, o problema não foi só interno. O dólar ganhou terreno contra a maioria das moedas ao longo da semana. Mesmo assim, o real teve um dos piores desempenhos, chegando a bater R$4,27 no seu pior momento. Não ajudou também a declaração de Paulo Guedes, ministro da Economia, de que o nível mais alto do dólar não preocupa e que pode vir para ficar.

Por outro lado, após anunciar inicialmente que não interferiria no câmbio, o Banco Central realizou várias vendas de dólar no mercado para conter as altas, e conseguiu devolver o câmbio para a casa dos R$4,22. 

Tais vendas, contudo, não controlam totalmente o movimento. A principal preocupação é com o fluxo de dinheiro estrangeiro que era esperado com força neste ano, mas, até o momento, vem decepcionando. A alta do câmbio pode reforçar a inflação nos próximos meses, o que fez com que se apagassem as apostas em uma Selic abaixo de 4,50% em 2020. O corte de 5,00% para 4,50% na reunião de dezembro do Copom segue uma unanimidade.

Magalinx.

 A Magazine Luiza (MGLU3) firmou uma parceria com a Linx (LINX3), empresa de softwares de gestão, visando a “digitalização” do varejo nacional. Com o acordo, usuários do sistema da Linx poderão anunciar seus produtos no marketplace da Magalu, acelerando suas vendas. Além disso, os vendedores do market-place poderão usar seus pontos físicos como opção de retirada/entrega de produtos vendidos pela Magalu.

Pão na farmácia.

Outra parceria foi anunciada nesta semana, desta vez entre o Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) e a Raia Drogasil (RADL3) . A parceira é a “Stix Fidelidade”, uma joint venture entre as duas empresas, com 66,7% de participação do GPA e 33,7% da Raia Drogasil. O programa de fidelidade, que ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), possui previsão de início das operações ainda em 2020. 

Com o Stix, ambas as empresas esperam ampliar a base de clientes e aumentar a frequência das compras. Os clientes acumularão pontos ao consumir nas lojas do Grupo Pão de Açúcar e nas rede de farmácias da Raia Drogasil e poderão usar os mesmos estabelecimentos como pontos de resgate.

Nova Tech na área.

A Gol (GOLL4) anunciou a Gol Aerotech, uma jogada da aérea para oferecer serviços de manutenção, reparos e revisões de aeronaves. O CMA GOL (Centro de Manutenção de Aeronaves), inaugurado em 2006 e o maior centro de manutenção de aeronaves da América Latina, já é utilizado para manutenção de aeronaves da própria Companhia. Com o lançamento da Aerotech, o CMA passa a prestar serviços para outras Empresas.

Petrorio foi às compras.

Nesta semana não foram só os consumidores que gastaram uma boa grana, mas uma transação milionária entre duas empresas do setor de petróleo chamou a atenção do mercado. A Petrobras (PETR4) assinou na quinta-feira (28) um contrato de R$100 milhões para a venda de sua participação no campo de Frade, que já é operado pela Petrorio (PRIO3). Comprando essa fatia, a Petrorio se torna dona do campo todo e os investidores gostaram disso, tanto que as ações dela subiram mais de 12%, enquanto a Petro caia mais de 3%. 

Não que seja ruim para Petrobras, só não é nenhuma novidade, afinal de contas não é de agora que a empresa segue com sua estratégia de desinvestimentos. Para a Petrorio também não é nada inédito, já que a tática da companhia sempre foi explorar campos de petróleo que já estão em produção. A diferença é que sendo dona do campo todo, ela  pode executar um plano de revitalização da área, se beneficiar integralmente da redução de custos e ainda aumentar a produção. 

Mas a compra ainda está no carrinho, falta ainda o CADE e a ANP autorizarem a operação. De qualquer maneira, a compra será parcelada em duas vezes sem juros e sem entrada, com a primeira parcela no valor de R$7,5 milhões, que deve ser paga na assinatura do acordo, e a outra, de R$92,5 milhões, no fechamento da transação, bem no estilo Black Friday de ser. 

Dia de Ação sem Graças.

A semana começou com o otimismo vindo das negociações entre EUA e China. As bolsas abriram no positivo e o S&P500 caminhava para as máximas. Tínhamos também bons resultados vindos das ações no mercado asiático em meio a movimentações a respeito dos protestos em Hong Kong. Por lá ainda se viu uma vitória expressiva dos candidatos pró-democracia nas eleições locais. No decorrer da semana a Bolsa americana continuou os recordes levados pela fala de Donald Trump de que as negociações estavam quase concluídas.
 
Caro leitor... eu sei que parece notícia repetida. Um CRTL+C CTRL+V dos últimos meses. Não deixa de ser, mas se estamos todos cansados dessa mesma notícia que não vai pra frente nem pra trás, imaginem os membros que compõem a comissão responsável pelas negociações…
 
E parece que o Presidente Donald esperava o feriado de Ação de Graças para jogar outro balde de água fria nas negociações e acabar com a graça do mercado. Na quinta-feira (28) assinou o projeto de lei de apoio às manifestações de Hong Kong, gerando mais desconforto e incertezas sobre as negociações. A China se posicionou com promessas de retaliação, apesar de nenhuma medida mais urgente, mas o processo esfriou. Vale lembrar que a China mostrou números mais fracos de crescimento e qualquer ação errada no jogo pode prejudicar ainda mais a sua economia. 

Dados mostram força nos EUA.

O presidente do FED - banco central norte-americano - deu declarações sobre o desempenho da economia na terça-feira (26) dizendo que o copo estava  “mais da metade cheio”. Na semana vemos dados que corroboram com essa fala. 
 
A recessão que se via presente nas curvas de juros não mostrou evolução, trazendo alento. Os dados de vendas de casas novas, índice que mede a força do mercado imobiliário nos EUA, tinha uma expectativa de 709 mil no mês de novembro. Apresentou resultado de 733 mil. Outro dado importante foi o PIB, principal índice que mede a atividade econômica: subiu para 2,1% ante estimativa de 1,9%, mostrando a força do consumo nos EUA. Todo o cenário contribuiu para a alta do dólar na semana. 

PIB brasileiro e payroll nos EUA.

O investidor deve ficar atento à divulgação do PIB brasileiro na terça-feira (03) da semana que vem. Esse indicador, em linhas gerais, mede o crescimento da economia brasileira, justificando assim a sua relevância. Contudo, vemos que a nossa economia enfrenta dificuldades em evoluir. 
 
De fato, no início do ano, esperava-se que o PIB crescesse cerca de 2,50% no ano de 2019, ao passo que, atualmente, já cogita-se um crescimento de tímidos 0,92%. Portanto, se o PIB brasileiro superar as expectativas na terça que vem, poderemos ter uma sinalização positiva a respeito da recuperação econômica, ao passo que um PIB menor do que o esperado pode ratificar o sentimento de lentidão.
 
No cenário internacional, teremos o payroll norte-americano, a ser divulgado na sexta-feira (06). Esse indicador mostra a variação do número de pessoas empregadas ao longo do último mês e serve como um “norte” para a determinação da saúde econômica da maior economia mundial. Dessa forma, o acompanharemos de perto para, principalmente, observarmos se a guerra comercial entre os EUA e a China está influenciando de alguma forma o mercado de trabalho na terra do Tio Sam.