Se achávamos que o acordo comercial entre Estados Unidos e China acalmaria o mercado internacional, o surto de um novo vírus no gigante asiático balançou os mercados nesta semana.

Alternando altas e baixas, o Ibovespa chegou a romper a máxima histórica, mas não conseguiu ir muito longe. Os dados de emprego e inflação não ajudaram, mas também não atrapalharam muito. O dólar segue pressionando os R$4,20.

Pelo menos, no cenário corporativo, as coisas foram mais animadas: a Hering divulgou prévias operacionais ruins e foi punida com fortes quedas, enquanto a Oi anunciou importante desinvestimento e viu suas ações dispararem.

Se essa semana foi mais paradona, na semana que vem ficamos de olho na decisão de juros nos Estados Unidos e no momento mais emocionante do ano: a temporada de balanços com os resultados de 2019! A volatilidade com certeza não vai ficar de fora.

Os destaques da semana:

  • Política e Economia: CAGED e IPCA-15.
  • Corporativo: Natal fora de moda, churrasco de folhas e pets gringos.
  • Em destaque: Quem desinveste dessa vez é a Oi.
  • Torocast: O clima internacional e Oi.
  • No exterior: Vírus na China. 
  • Fique de olho: Juros nos EUA e Ano Novo chinês.

Emprego inflacionado. 


Enquanto o noticiário internacional tomava conta do mercado e pressionava o dólar em direção aos R$4,20, internamente acompanhamos os dados de inflação e emprego em busca de novos sinais sobre a recuperação econômica. De antemão, já adianto: nada muito conclusivo.

Não houveram divulgações de destaque como na semana passada, mas os dados do CAGED e do IPCA-15 vieram dentro do esperado. O primeiro mostrou queda no emprego formal em dezembro, o que é comum nesse mês, mas um saldo positivo de 644 mil empregos criados em 2019. O resultado indica que a queda do desemprego pode se acelerar ao longo do ano, além de melhorar a qualidade do mercado de trabalho, que vinha observando um aumento expressivo dos empregos informais.

o IPCA-15 trouxe alta de 0,71%, valor que ainda capta parte das altas de dezembro em função dos preços da carne e do dólar. O indicador também mostrou inflação bem distribuída entre os diversos produtos avaliados, o que reforça a expectativa em um IPCA mais forte neste ano.

Contudo, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, diminuiu os receios do mercado e sinalizou que a autoridade monetária não está excessivamente preocupada com a alta dos preços neste momento. Com isso, aumentam ainda mais as apostas em um corte final de 0,25 p.p. na taxa Selic na próxima reunião do Copom, na primeira semana de fevereiro.


2020-no-Azul


Fora de moda.


Pra dar um banho de água fria em parte do otimismo em torno do varejo, em meio à expectativa de retomada da atividade econômica, a Hering (HGTX3) soltou prévias operacionais decepcionantes.

A prévia operacional das vendas de final de ano da Companhia trouxeram queda da receita bruta em comparação ao mesmo período em 2018. Segundo a Empresa, o mal desempenho em dezembro se deve à “ressaca da Black Friday”, em que muitos consumidores anteciparam as compras de natal.

Entretanto, o mercado não engoliu muito bem essa justificativa. Esperava-se desempenho superior no natal, dando continuidade à percepção de aquecimento econômico observada na Black Friday. As ações da Companhia chegaram a registrar queda de mais de 15% durante a semana.

Frango sintético.


Na onda da alimentação saudável e crescimento do movimento vegetariano, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) não achou que seria pecado começar a vender “o novo frango”.

A nova linha de frango de “mentirinha”, feito com proteína de ervilha, amido, cebola e extrato de levedura, já está disponível em São Paulo e deve chegar nos outros estados ao longo do trimestre. Apesar de ser uma aposta num mercado inovador, o mercado deu pouca atenção ao fato.

Arroz para los bichanos?


A Camil (CAML3) divulgou um Fato Relevante informando a aquisição de uma operação de “pet food” no Chile. Em um negócio de aproximadamente R$200 milhões, a Empresa, que já possui uma marca de arroz líder de mercado no país, leva as marcas e a planta industrial da operação pet das Empresas Iansa.

A aquisição marca o início da atuação da Camil no segmento pet, aumenta em cerca de 40% a receita da Empresa no Chile e tem potencial para destravar valor com sinergias entre as operações, com o aproveitamento do canal de vendas da Tucapel, a marca de arroz comprada pela Companhia em 2009.

Oi, tudo bem?


No início dos anos 2000, o sonho de muitos adolescentes da época era o chip 31 anos da Oi. Pois é, esses adolescentes cresceram, muitos deles se tornaram acionistas daquela que antes apenas embalava suas ligações de final de semana. Quando dizemos que muitos se tornaram acionistas da Oi (OIBR3), não estamos exagerando.

Atualmente, OIBR3 e OIBR4 compõem em peso a carteira de vários investidores brasileiros. Mas o que motivou tantas pessoas a encarteirar o papel? Seria seu preço atrativo (menos de R$1,00)? Seria a esperança de que a recuperação da Empresa está por vir? Seria a nostalgia teen? Talvez, mas acreditamos que a tomada de decisão não é bem por aí. Então vamos aos fatos.

Depois de perder muito espaço no mercado para seus concorrentes e ainda enfrentar um dos piores processos de recuperações judiciais, finalmente a Oi começou a colocar em prática o seu plano de reestruturação. Mas esse assunto não é nenhuma novidade para o mercado, afinal, não é de agora que a Oi tem deixado claro sua estratégia de desinvestimento. O que ligou o sinal de muita gente foi a recente conversa entre a Oi, a Unitel e a Sonangol.

Oi: “Chega, vamos vender tudo o que não é estratégico! Torres, data centers, imóveis e ainda aquela nossa fatia de 25% que temos da Unitel“. Sonangol: “Olá Oi, temos interesse em comprar essa fatia da Unitel. Tá aqui, US$ 1 bilhão.”.

A conversa não aconteceu necessariamente dessa maneira, mas a grande questão é que o valor arrecadado nessa transação pode ajudar (e muito) o quadro financeiro da Oi, que atualmente tem queimado bastante caixa para continuar tocando suas atividades operacionais.

A grande verdade é que a venda da participação da Unitel não resolve por completo a vida da Oi, muita coisa ainda precisa ser feita. Mesmo assim, OIBR3 e OIBR4 subiram mais de 5% e 15%, respectivamente. Nos resta agora acompanhar os próximos passos do plano de recuperação da Empresa. A única certeza que temos é que a Oi vai dar o que falar por um bom tempo.

Tensões internacionais e a recuperação de OI.


Guerra comercial, tensão político-econômica e medo da recessão são o tema da minha conversa com Paloma Brum no Torocast #18. E pra quem está de olho em Oi, no episódio #19 Stefany Oliveira e Lucas Carvalho discutem o atual momento da Empresa e o que esperar para o futuro.   

              11 (1)

Vírus infecta o mercado.


Na terça-feira (20) os mercados acordaram estressados com a notícia de que um novo vírus letal se espalhava na cidade de Wuhan, China. Os sintomas do Coronavírus, basicamente, se assemelham a uma forte gripe, podendo afetar o sistema respiratório e evoluir para uma pneumonia.

O índice Hang Seng chegou a cair 3,2% em meio a confirmações de mortes causadas pelo vírus e, assim como vimos com o ataque dos EUA ao Irã, os investidores se tornam mais cautelosos. Assim, observou-se uma corrida para ativos considerados “porto seguro” como o ouro e o iene, que se valorizaram com o novo perigo global.

A propagação vem na semana de feriado do Ano Novo Lunar chinês, que movimenta o maior volume de viagens do ano, prejudicando diretamente a economia do país asiático.

O governo anunciou fechamentos de pontos turísticos como a Grande Muralha, os monumentos em Pequim e a Disney em Xangai como medidas para controle da contaminação. Outros esforços para conter a disseminação - como o aumento da triagem nos aeroportos e o fechamento da cidade de Wuhan - foram tomados, tranquilizando os mercados que caminharam de lado antes de algum pronunciamento das autoridades de saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) se posicionou na quinta feira (23) dizendo que “ainda é cedo” para considerar a situação como emergência internacional. Isso fez com que os mercados encontrassem o alívio e vimos o S&P 500, principal índice dos EUA, terminar o dia positivo.

Juros nos EUA e Ano Novo chinês.


Os investidores que nos acompanham há mais tempo já estavam acostumadas às super quartas. Elas eram quartas-feiras nas quais tanto os Estados Unidos quanto o Brasil divulgavam suas taxas de juros. Falo assim, no passado, pois as super-quartas chegaram ao fim, visto que as decisões do FOMC e as do COPOM acontecerão, a partir de agora, em semanas diferentes.

Depois de uma sequência de três cortes que levaram os juros da faixa de 2,25%-2,50% para a faixa de 1,50%-1,75%, o FOMC decidiu manter este patamar na sua última reunião. Dessa forma, a expectativa é de que as taxas se mantenham, novamente, nos atuais patamares na reunião da próxima quarta-feira (29). Apesar da primeira fase do acordo comercial entre os Estados Unidos e a China ter sido assinada, não temos vetores ou indicadores mais relevantes que justifiquem a alteração dos juros neste momento.

Além dos EUA, o investidor também deve ficar de olho na China. É notório que os países asiáticos costumam apresentar algumas diferenças em relação às nações ocidentais. Tais diferenças não se restringem ao aspecto cultural, comportamental ou alimentício, chegando ao nível do calendário e dos feriados.

Dessa forma, os chineses comemorarão o Ano Novo, também conhecido como festival da primavera ou lunar, neste sábado (25). Assim, a China estará oficialmente em festa entre hoje (24) e a próxima quinta-feira (30). Contudo, os chineses não são completamente diferentes de nós, brasileiros. Muitos deles emendarão o feriado, a sexta-feira (31) e o fim de semana.

Feriados prolongados geralmente são um incentivo a viagens mais longas, ainda mais em se tratando do Ano Novo Chinês, no qual as famílias tradicionalmente se reúnem para jantares comemorativos. Porém, diante do cenário ainda incerto e preocupante a respeito do Coronavírus, novos casos de contaminação ou anúncios da OMS poderão trazer oscilações mais fortes aos mercados ocidentais.

Finalmente, cabe ressaltar que a temporada de balanços terá início na semana que vem. Além dos resultados do 4T19, também teremos o resultado consolidado de 2019 de várias empresas. Portanto, números distantes das expectativas podem trazer maiores volatilidades para os ativos da nossa Bolsa, seja positiva ou negativamente.